Yavanna Kementári

Escrito por Gwen. Publicado em Personagens

Yavanna Kementári

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Yavanna Kementári, Rainha da Terra, é uma das Valier de maior poder, contada entre os Aratar, ficando, em reverência entre as rainhas dos Valar, logo a seguir a Varda.
Ama todas as coisas que crescem na Terra e conserva na memória todas as suas incontáveis formas. É alta e veste de verde, com forma de mulher, mas às vezes assume outras formas e há quem a tenha visto erguida como uma árvore sob o céu, coroada pelo Sol, e de todos os seus ramos corria um orvalho dourado para a terra árida, a qual se tornava verde.

É esposa de Aulë, o ferreiro, que exerce o seu domínio sobre todas as substancias de que Arda é feita e um dos Valar de maior poder; e Vána, a Sempre-Jovem e esposa de Oromë, é a sua irmã mais nova.

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Yavanna foi um dos Ainur que participou na Grande Música cantada perante Ilúvatar, o Canto da Criação; e foi para as coisas que crescem na terra que voltou o seu pensamento, entretecendo o seu canto com os de Manwë e Ulmo. E também foi um dos Ainur que desejou descer ao mundo e entraram em Eä, preparando-o para a vinda dos filhos de Eru com grandes labores, até estar feita Arda, o reino da Terra. Então, desceram e nela habitaram daí em diante, estabelecendo a sua primeira morada na Ilha de Almaren; e Yavanna, a Dadora de Frutos, lançou as sementes que durante muito tempo planeara. Mas para que germinassem havia necessidade de luz. Então Yavanna pediu a Aulë, seu esposo, para fazer duas lâmpadas que iluminassem a Terra Média, e todos os Valar se lançaram nessa obra. Uma das lâmpadas foi colocada no Norte e chamava-se Illuin e a outra foi erguida a Sul e chamava-se Ormal; e as sementes que Yavanna semeara começaram a germinar rapidamente, e assim surgiu uma multitude de coisas que cresciam, musgos, ervas, fetos e grandes árvores, bem como animais, que viviam nas planícies ervosas, ou nos rios e nos lagos, e que caminhavam nas florestas. Ainda nenhuma flor desabrochara nem nenhuma ave cantara, pois essas coisas aguardavam ainda no seio de Yavanna que chegasse o seu tempo; mas havia riqueza na sua imaginação e este período ficou conhecido como a Primavera de Arda, quando todas as coisas eram jovens e uma maravilha aos olhos dos seus criadores.

Mas Melkor, invejoso, desceu secretamente em Arda com um poderoso exercito, escavou uma fortaleza nas profundezas da terra, e a praga do seu ódio começou a macular a Primavera de Arda: coisas verdes apodreceram, rios tornaram-se pântanos, florestas tornaram-se perigosas e animais tornaram-se monstros. E por fim derrubou as Lâmpadas e as terras foram desfiguradas e ficaram nas trevas; e os Valar, para salvar da ruína tudo o que pudessem e não querendo dilacerar de novo a Terra, enquanto não soubessem onde iriam despertar os filhos de Eru, não abriram guerra a Melkor, que se tinha escondido na sua negra fortaleza, e foram para Aman, o continente mais ocidental de Arda, onde estabeleceram o seu reino, na região que passou a chamar-se Valinor.

Aí construiram a sua cidade, a Valmar de muitos sinos, e Yavanna, concentrando todo o seu pensamento em coisas que crescem na terra, entoou um canto de poder no monte Ezellohar, diante da porta Ocidental de Valmar. E ao som do seu canto irromperam do monte dois delgados rebentos, que cresceram e tornaram-se belos, altos e floresceram; e assim despertaram no mundo as Duas Árvores de Valinor, a mais famosa de todas as obras de Yavanna. Pois dessas árvores irradiavam calor e grande luz, bela e suave, a radiância do Reino Abençoado: dourada, a dos frutos de Laurelin, e prateada, a das flores de Telperion.

Em sete horas cada árvore atingia o seu apogeu e esmorecia de novo por completo; e cada uma reacordava uma hora antes de a outra cessar de brilhar. Por isso, em Valinor, havia duas vezes em cada dia uma hora de luz mais suave, em que os raios de ouro e prata se misturavam; e Varda guardava os orvalhos de Telperion e a chuva de Laurelin em grandes tinas, que lembravam lagos reluzentes. Assim começaram os dias de felicidade de Valinor, que se tornou mais bela ainda do que a Terra Média na Primavera de Arda.

Mas para lá das montanhas de Aman tudo se encontrava num crepúsculo sob as estrelas e Melkor rebustecia a sua força. Enquanto as lâmpadas tinham brilhado, tinha-se iniciado um crescimento de coisas que estava agora detido, na escuridão; e Yavanna ia muitas vezes à Terra Média e passeava nas suas florestas, pesarosa, porque o crescimento das coisas que planeara estava agora parado. E adormeceu muitas que tinham surgido na Primavera de Arda, para que não envelhecessem e aguardassem um tempo de despertar que ainda viria; e falou aos Valar com grande tristeza e preocupação, em tudo o que observara na terra onde iam nascer os filhos de Eru, terror e escuridão. Então Varda fez novas e mais brilhantes estrelas para a vinda dos primogénitos de Iluvatar.

Também foi Yavanna que fez para os Elfos de Aman uma árvore que era uma imagem reduzida da Telperion, com a diferença que não dava luz própria, pois de todas as árvores de Valinor, a que os Elfos mais amavam, era a Árvore Branca. Chamaram-lhe Galathilion, em Sindarin, e foi plantada no monte Túna onde floresceu, e os seus rebentos eram muitos em Eldamar. Destes, um foi mais tarde plantado em Tol Eressëa e chamou-se Celeborn e dele proveio Nimloth, a Árvore Branca de Númenor.

Fëanor fez os Silmarils, três grandes gemas que continham dentro de si a luz das Duas Árvores de Valinor, a radiância do Reino Abençoado; mas Melkor cobiçou-os, roubou-os e com a ajuda de Ungoliant, destruíu as Duas Árvores. Assim caíu sobre Valinor a Grande Escuridão e Yavanna só podia devolver as Árvores à vida se tivesse um pouco da sua luz e radiância, que agora só sobreviviam nos silmarils. Mas Fëanor, enlouquecido de dor pela morte do pai e cheio de angústia pelo roubo dos silmarils, fez um juramento terrível e convenceu os Noldor a partirem para a Terra Média, onde combateriam Morgoth e teriam vastos reinos. Assim se deu a rebelião dos Noldor, e o Reino Abençoado ficou fechado para eles durante muito tempo, pois os Valar colocaram muitas Ilhas Encantadas que esconderam Valinor das terras exteriores. Este foi o início da Guerra das Jóias, que se estendeu por toda a primeira Era do Sol.

Yavanna e Nienna exerceram todos os seus poderes de saramento sobre as Duas Árvores e por fim, Telperion apresentou uma grande flor de prata e Laurelin um único fruto de ouro, e as Árvores morreram. Os seus troncos sem vida ainda se erguem em Valinor, num monumento à ventura desaparecida. Yavanna deu a flor e o fruto a Aulë, que fez umas grandes naves para os guardar e preservar, Manwë consagrou-os e Varda colocou-as no céu e assim nasceram Anor e Isil, o Sol e a Lua, últimos frutos de Laurelin e Telperion.

Yavanna sentia-se receosa com o que poderia ser feito na Terra Média com as suas obras, quando os filhos de Ilúvatar despertassem. E ainda ficou mais apreensiva quando Aulë, seu esposo, lhe contou que tinha feito os sete pais dos Anões, e como Ilúvatar tinha sido misericordioso e os tinha aceite como filhos adoptivos. Pois, como Aulë, tinha ocultado dela esse pensamento e conservou o seu trabalho escondido, Yavanna sabia que os filhos de Aulë sentiriam pouco amor pelas suas obras e que amariam sempre primeiro as coisas feitas pelas suas próprias mãos; e assim muitas árvores sentiriam as suas mordeduras. Mas Aulë fez-lhe ver que isso também aconteceria com os filhos de Ilúvatar, pois ele daria o domínio aos filhos e eles utilizariam tudo quanto encontrassem em Arda, embora, por sua vontade, não sem respeito ou gratidão.
Yavanna ficou muito apreensiva, pois todas as suas obras lhe eram queridas e Melkor já tinha desfigurado muitas delas; por isso procurou Manwë, preocupada com o que aconteceria com as árvores e com os seus trabalhos, em dias futuros. Mas Manwë tranquilizou-a, pois Ilúvatar permitiu-lhe que tivesse uma visão completa do canto dos Ainur, e disse a Yavanna que quando os filhos de Ilúvatar acordassem, então o seu pensamento também acordaria e convocaria espíritos de longe, que protegeriam as coisas que cresciam com raízes na Terra e os animais, durante algum tempo.

E assim, apareceram os Ents, meio-Homens, meio-Árvores, vindos do pensamento de Yavanna, os Pastores das grandes Florestas de Arda.

O Papel dos Ents foi muito importante na Terra Média: não só preservaram e protegeram as obras de Yavanna, como também ajudaram os povos livres a livrarem-se da sombra de Sauron, no final da 3ª Era, quando partiram na sua Grande Marcha contra Isengard.

Também as Esposents tiveram um papel essencial, pois cultivaram as terras e ensinaram as artes da agricultura aos Homens, que as respeitavam muito, até Sauron as destruir.
Ainda hoje, muitas dessas artes são seguidas e respeitadas, e todos nós nos maravilhamos ao observar as belas obras de Yavanna: por isso, apenas podemos dizer:
Hantalë, Yavanna Kementári!
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