Turgon

Escrito por Olórin. Publicado em Personagens

Turukano é o seu nome em Quenya. Este foi o grande Rei Élfico de Gondolin, o Reino Escondido. Nascido durante a Era das Árvores em Aman (no ano 1300), Turgon foi o segundo filho de Fingolfin e era também chamado Turgon o sábio. Era irmão de Fingon e de Aredhel.
Aquando das duras palavras de Fëanor contra os Valar (no ano 1495), Turgon encontrava-se entre os que a ele se opunham:“Por isso, Fingolfin e Turgon, seu filho, falaram contra Fëanor e impetuosas palavras encontraram, de modo que mais uma vez a ira esteve perto do gume das espadas.”
Silmarillion, p.80

Fëanor fala aos Noldor

Mas a opinião de Fëanor prevaleceu, o próprio irmão de Turgon, Fingon, desejava partir e juntamente com Galadriel apoiaram Fëanor, embora não gostassem particularmente dele. Fingolfin não desejava abandonar o seu povo e instigado por Fingon acabou por partir também, Turgon também o seguiu.
Foi então em Alqualondë que se deu uma dos mais hediondos acontecimentos na história dos Elfos, uma matança de Elfos por Elfos. Fëanor desencadeou uma batalha com os Teleri de forma poder utilizar os barcos brancos que os Teleri tanto amavam e não desejavam ver partir. Fingon cometeu um erro nesse dia, ao chegar aos portos de Alqualondë deparou-se com uma batalha e pensando que os Teleri tentavam impedir a marcha dos Noldor envolveu-se e envolveu a sua gente nessa batalha.
Turgon era, juntamente com Finrod, o mais espiritualmente puro dos príncipes dos Eldar. Nenhum deles tomou parte da matança de Alqualondë e nenhum deles ajudou Fëanor a trair o seu povo. Turgon não cometeu o erro do irmão e não se precipitou na ajuda a Fëanor.
Quando Mandos falou aos Noldor e ditou a sua Maldição estes vacilaram e Finafin (que também acompanhou a marcha) acabou mesmo por regressar a Aman mas os seus filhos continuaram a marcha. Mas “Fingon e Turgon eram destemidos e ardentes de coração e detestavam abandonar qualquer tarefa a que tinham deitado mãos antes de chegarem ao fim, por cruel que fosse. Por isso, a hoste principal manteve-se e depressa o mal agourado começou a fazer-se sentir“.
Foi então que Fëanor começou a cumprir a maldição de Mandos e traiu aqueles que esperavam pelos barcos (roubados aos Teleri) para regressarem à Terra Média. Fëanor queimou os barcos tentando impedir que os restantes Noldor chegassem à Terra Média. Aos restantes Noldor, conduzidos por Fingolfin, Turgon, Fingon, Galadriel e Finrod apenas restava voltar para Aman ou tentar atravessar o Helcaraxë e os terríveis montes de gelo. A travessia do Helcaraxë foi a opção, uma dura opção como se veio a confirmar.


Travessia de Helcaraxë

Dura foi a travessia mas a coragem e a resistência dos Noldor aumentou com as dificuldades e a travessia foi efectuada, com pesadas baixas, mas efectuada. Turgon perdeu a sua mulher Elenwë, dos Vanyar, num triste episódio. Ela e a sua filha, Idril, caíram ao mar gelado e Turgon apenas conseguiu salvar a filha pois Elenwë pereceu, esmagada por blocos de gelo que caíam (ano 1496).
No ano de 1500 a hoste que atravessou o Helcaraxë chegou finalmente à Terra Média e quando entrou em Mithrim, o Sol ergueu-se pela primeira vez.

O primeiro nascer do Sol

“A Ocidente de Dor-lómin, para lá das montanhas Ecoantes, que a sul do estuário de Drengist avançavam para o interior, ficava Nevrast, que significa «costa próxima» na língua sindarin. Esse nome foi dado ao princípio a todas as terras costeiras a sul do estuário, mas depois só à terra cujas costas ficavam entre Drengist e o monte Taras.”
Aqui decidiu Turgon estabelecer-se, em Nevrast, perto do mar como nos diz o Silmarillion (p. 126).
“Aquando da chegada dos Noldor, muitos Elfos cinzentos viviam em Nevrast, perto das costas e, especialmente, nas proximidades do monte Taras, no Sudoeste, pois a esse lugar Ulmo e Össe tinham tido o hábito de ir em tempos passados. Todo esse povo aceitou Turgon como seu senhor, e a mistura dos Noldor e dos Sindar verificou-se aí mais cedo; e Turgon viveu muito tempo nas mansões a que chamou Vinyamar, debaixo do monte Taras, ao lado do mar.” (Silmarillion, pp. 126-27).
De todas as obras em pedra que os Noldor realizaram nas terras mortais, as mansões de Vinyamar eram a mais antiga e foi durante algum tempo o centro do Reino de Turgon, o Sensato.
Turgon era sem dúvida alguma o mais sábio dos Filhos de Fingolfin e por qualquer razão era um dos favoritos de Ulmo entre os príncipes Noldorin. Parece provável que, desde que Turgon assumiu a liderança dos Elfos Sindarin de Nevrast, Ulmo terá pressentido que ele seria o príncipe Noldorin com mais afinidade com o mar. Se pensarmos bem Turgon foi o único Rei Noldorin que se preocupou em construir barcos para pedir a ajuda dos Valar.
Quando tinham passados cinquenta anos após a primeira aparição do sol, “Turgon partiu de Nevrast, onde vivia, e procurou Finrod na ilha de Tol Sirion, e viajaram para sul ao longo do rio, temporariamente cansados das montanhas setentrionais; enquanto viajavam, a noite abateu-se sobre eles para lá dos lagos do crepúsculo, ao lado das águas do Sirion, e dormiram nas suas margens sob as estrelas de Verão. Mas Ulmo, subindo o rio, lançou sobre eles um sono profundo e pesados sonhos; e a inquietação dos sonhos permaneceu depois de acordarem, mas nenhum disse nada ao outro, pois a sua memória não estava clara, e cada um se convenceu de que só a si Ulmo enviara uma mensagem. Mas a inquietação não os abandonou depois disso, nem a dúvida do que aconteceria , e percorreram sozinhos terras não pisadas, em busca de lugares de força oculta, pois parecia a cada um que recebera o encargo de se preparar para um dia mau e de estabelecer uma via de retirada, não fosse Morgoth irromper de Angband e vencer os exércitos do Norte.” (Silmarillion, p. 120).
Após este episódio Finrod foi ao Reino Escondido de Doriath e falou dos seus sonhos a Thingol, que por sua vez lhe falou da profunda garganta do rio Narog e das cavernas existentes debaixo do Alto Faroth. Com a ajuda dos Anões Finrod construiu aí Nargothrond e na língua dos Anões passou a chamar-se Felagund – Desbastador de Cavernas.
“Mas Turgon lembrou-se da cidade erguida num monte, Tirion, a Bela, com a sua torre e a sua árvore, e sem encontrar o que procurava regressou a Nevrast e instalou-se em paz em Vinyamar, junto das costas do mar.” (Silmarillion, p.121).
Então a Turgon foi concedida uma dádiva especial, um ano depois do regresso de Turgon a Vinyamar e apesar de Ulmo ter despertado sonhos tanto a Finrod como a Turgon, encorajando-os a encontrar lugares de força onde estes pudessem preparar e construir refúgios escondidos, foi a Turgon que Ulmo apareceu e conduziu ao vale de Tumladen (1ª era ano 53) nas montanhas circundantes, as Echoriath:
“E no ano seguinte apareceu-lhe o próprio Ulmo, que o mandou voltar sozinho ao vale do Sirion; e Turgon foi e, guiado por Ulmo, descobriu o vale oculto de Tumladen nas montanhas circundantes, no meio do qual havia um monte de pedra. Não falou disso a ninguém e regressou de novo a Nevrast e aí iniciou as suas consultas secretas para gizar o plano de uma cidade à maneira de Tirion, no Tuna, pela qual o seu coração anelava no exílio.”
Silmarillion, p. 121“O vale escondido de Tumladen... ficava a leste das águas superiores do Sirion, num anel de montanhas altas e abruptas, e onde nenhuma coisa viva ia, a não ser as águias de Thorondor. Mas havia um caminho fundo debaixo das montanhas, escavado na escuridão do mundo por águas que corriam para se juntarem às correntes do Sirion; e Turgon descobriu esse caminho e assim chegou à planície verde entre as montanhas e viu o monte-ilha que lá se erguia e era de pedra lisa e dura, pois o vale fora um grande lago nos tempos antigos.”
Silmarillion, p. 133Depois da Dagor Aglareb, os avisos, a inquietação que Ulmo despertou no coração de Turgon reacenderam-se e no ano 64 da 1ª era, Turgon levou secretamente para Tumladen muitos dos mais dotados e robustos entre o seu povo e, secretamente, iniciou os trabalhos de construção de Gondolin. E aí o povo de Turgon trabalhou em segredo durante longos anos, sob a protecção de Ulmo, antes de deixarem as suas casas de Nevrast para sempre.

O Vale de Tumladen

Turgon continuou a viver a maior parte do tempo em Nevrast, até que, com a construção de Gondolin, após 250 anos de secreto labor, o povo de Turgon conseguiu atingir um pouco da glória de Tirion, a bela, em Aman. De todas as cidades Élficas, Gondolin era a mais encantadora, a mais bela e a mais abençoada.
Diz-se que Turgon decidiu que o seu nome iria ser Ondolindë, na língua dos Elfos de Valinor, ou seja, Rocha da Música da Água – devido à existência de fontes no monte – mas na língua Sindarin o nome foi mudado e tornou-se Gondolin – Rochedo Escondido.
Os Valar não abandonaram os Noldor por completo e a maior parte dos seus esforços para os ajudar concentraram-se em Gondolin.
No ano 116, Turgon, e o resto do seu povo, abandonou o seu antigo castelo no monte Taras mas, a pedido de Ulmo, que lhe apareceu antes de ele sair de Nevrast, deixou um elmo, uma couraça e uma espada para que o mensageiro que Ulmo iria enviar para avisar Turgon do perigo fosse reconhecido por este:“Agora irás finalmente para Gondolin, Turgon, e eu manterei o meu poder no vale do Sirion e em todas as suas águas, para que ninguém assinale a tua ida, nem lá encontre a entrada oculta contra a tua vontade... Mas não ames demais o trabalho das tuas mão nem o engenho do teu coração e lembra-te que a verdadeira esperança dos Noldor se encontra no Ocidente e vem do mar.
E Ulmo advertiu Turgon de que também se encontrava sob a maldição de Mandos, que Ulmo não tinha poder para afastar.
- Assim, pode acontecer – disse – que a maldição dos Noldor te encontre também a ti antes do fim e a traição desperte no interior das tuas muralhas. Então, elas correrão o perigo do fogo. Mas se esse perigo se aproximar demasiado, então até mesmo de Nevrast irá alguém avisar-te, e daquele que está acima da ruína e do fogo nascerá a esperança para os Elfos e para os Homens. Deixa, portanto, nesta casa armas e uma espada, para que em anos vindouros ele possa encontrá-las, e assim o reconhecerás e não serás enganado.”
Silmarillion, pp. 133-34O povo de Turgon era constituído por 1/3 dos Noldor que seguiram Fingolfin e ainda uma hoste maior de Sindar. Companhia após companhia o povo de Turgon abandonou Nevrast, sem ser detectado, com a ajuda de Ulmo. Turgon foi o último a sair do seu palácio, “partiu com os membros da sua casa através dos montes e transpôs as portas das montanhas, que se fecharam atrás dele” (Silmarillion, p. 134).
Turgon tinha encontrado o “Santo Graal”, mas no fim provou não merecer tal graça pois ignorou o aviso final de Ulmo e permaneceu em Gondolin. E que preço terrível o povo de Turgon pagou pelo seu orgulho... Turgon nunca suspeitou que um parente seu fosse capaz de o trair.
No ano 316 da 1ª era Aredhel, irmã de Turgon, encontrou-se “cansada” da cidade guardada e pediu ao irmão que a deixasse partir. Turgon não desejava ver a sua irmã partir e durante algum tempo negou-lhe o pedido mas por fim acabou por ceder à pressão da irmã e deixou que esta partisse para procurar Fingon, irmão de ambos. Com ela mandou três senhores da sua casa, Glorfindel, Echtelion e Egalmoth. Depois Aredhel partiu de Gondolin e o coração de Turgon ficou pesado com a sua partida. Quando o grupo chegou ao vau de Brithiach no rio Sirion, Aredhel disse aos seus companheiros que virassem para Sul e não para Norte pois o seu coração preferia ver os filhos de Fëanor de quem era muito amiga. Os guardas da fronteira de Doriath não permitiram o acesso do grupo ao reino de Thingol e Melian. Ao percorrerem o caminho alternativo para as terras de Celegorm, na região de Nan Dungortheb, Aredhel perdeu-se dos companheiros (que voltaram para Gondolin e informaram Turgon do sucedido) e acabou por chegar ao reino de Celegorm e Curufin que tinham partido com Caranthir.
Ao saber do sucedido Turgon ficou triste e sozinho suportando em silêncio a dor e a cólera. Nas terras de Celegorm se demorou Aredhel durante algum tempo mas acabou por ficar de novo desassossegada e começou a cavalgar sozinha cada vez mais para longe até que chegou a Nan Elmoth e se perdeu. Nessa floresta vivia Eöl, o Elfo escuro, que acabou por tomar Aredhel por esposa. Desta união nasceu Maeglin, Lómion na língua dos Noldor. Após algum tempo Aredhel, influenciada por Maeglin, decidiu regressar a Gondolin mas quando se preparava para passar a entrada secreta para o reino foi avistada por Eöl que assim descobriu o reino secreto. Após um diálogo áspero com Turgon Eöl tentou assassinar Maeglin mas Aredhel protegeu o filho e acabou por ser ela a vítima do dardo envenenado. Eöl foi depois atirado do Caragdûr e Maeglin ficou a viver com o tio e tornou-se grande entre os Gondolindrim.

Eöl e Aredhel

No ano 455 Morgoth decidiu interromper o período de paz e desencadeou a Batalha da Chama Súbita e Turgon, o único Rei Élfico a procurar a ajuda e o perdão dos Valar, começou a enviar mensageiros com o objectivo de encontrar Valinor em barcos construídos por Círdan.
Em 458 da 1ª era, Húrin e Huor, filhos de Galdor, da casa de Hador, durante a Dagor Bragollach foram perseguidos até ao vau do Brithiach e só foram salvos devido ao poder de Ulmo que ainda se mantinha forte no Sirion. Subiu do rio uma névoa que os ocultou dos inimigos e eles escaparam para Dimbar e percorreram os caminhos sob as encostas abruptas de Crissaegrim, até que se perderam e foram avistados por Thorondor que mandou duas águias em seu auxílio que os levaram para lá das montanhas circundantes, para o reino escondido que nenhum Homem tinha visto até à data. Turgon, ao saber que Húrin e Huor eram da casa de Hador ficou contente pois Ulmo, em sonhos, tinha-lhe dito para tratar generosamente os filhos da casa de Hador, de quem receberia ajuda em caso de necessidade. Embora fossem muito bem tratados em Gondolin e Turgon os tivesse em alta estima, passado um ano, os dois Homens pediram a Turgon que os deixasse partir para suas casas pois as suas vidas eram curtas e desejavam encontrar de novo os seus familiares. Turgon acabou por responder afirmativamente ao pedido mas os dois Homens, antes de saírem do reino escondido, juraram nada dizer acerca do que viram em Gondolin. Turgon predisse que dentro de pouco tempo, pela contagem dos Eldar, talvez se voltassem a encontrar. E assim aconteceu mais tarde.
No ano 468, iniciou a União de Maedhros, devido aos feitos de Beren e Luthien os Elfos ganharam ânimo e chegaram à conclusão que poderiam vencer Morgoth. Maedhros reuniu todos os seus irmãos e todos aqueles que o seguissem, Fingon – seu amigo – preparou-se para a guerra e Turgon, secretamente preparou-se da mesma forma. Maedhros obteve o auxílio dos Naugrim, em força armada e em armas e muitos foram os Homens que se juntaram à causa – Destruir Morgoth.“Quando toda a força possível de Elfos, Homens e Anões estava reunida, Maedhros decidiu atacar Angband por Leste e por Oeste e propôs-se a marchar com bandeiras desfraldadas, numa força aberta, pela Anfauglith... No dia combinado, na manhã do solstício de Verão, as trompas dos Eldar saudaram o nascer do Sol e as Leste levantou-se a bandeira dos filhos de Fëanor e a Oeste a bandeira de Fingon, rei supremo dos Noldor. Então, Fingon olhou das muralhas de Eithel Sirion, e o seu exército estava disposto nos vales e nas florestas a Leste de Ered Wethrin, bem oculto dos olhos do inimigo, mas que sabia ser muito grande, pois nele estavam reunidos todos os Noldor de Hithlum, juntamente com os Elfos das Falas e a companhia de Gwindor, de Nargothrond, e ele tinha grande força de Homens: à direita estava a hoste de Dor-lómin e toda a valentia de Húrin e Huor, seu irmão, e a eles se juntaram Haldir, de Brethil, com muitos Homens das florestas.
Depois Fingon... olhou para Leste para saber se conseguia ver, com vista élfica, a poeira da Anfauglith levantar-se sob a passagem das hostes de Maedhros. Ignorava que Maedhros fora atrasado na sua partida pela astúcia de Uldor, o Amaldiçoado, que o enganara com falsas advertências de ataque de Angband.
Mas ergueu-se um grito que passou com o vento sul de vale em vale, e Elfos e Homens levantaram as vozes de espanto e alegria, pois, sem ter sido chamado, inesperado, Turgon abrira o cerco de Gondolin e vinha com um exército de dez mil, com reluzentes cotas de malha, espadas compridas e uma floresta de lanças. Então, quando Fingon passou, o seu coração animou-se e ele gritou, alto:
– Utúli’n aurë! Aiya Eldalië ar Atanatári, utulie’n aurë! – («O dia chegou! Olhai, povo dos Eldar e pais dos Homens, o dia chegou!»)
E todos aqueles que ouviram a sua grande voz ecoar nos montes gritaram, em resposta:
– Auta i lómë! – («A noite está a passar!»)”
Silmarillion, pp. 203-04Após um início precipitado a Nirnaeth Arnoediad começou a correr mal para o lado da luz e quando Fingon tinha perdido quase todos os Homens de Brethil e o seu exército estava cercado pelas forças de Morgoth, Turgon moveu as suas forças para Norte, pois tinha estado a Sul, a guardar os desfiladeiros de Sirion e agora corria em socorro do irmão. No quinto dia o exército de Turgon, forte e revestido de cotas de malha, cujas fileiras brilhavam como um rio de aço ao Sol, abriu caminho através das fileiras dos Orcs e Turgon reuniu-se assim com o irmão.“... e diz-se que o encontro de Turgon com Húrin, que estava parado ao lado de Fingon, foi alegre no meio da batalha. Então a esperança renovou-se nos corações dos Elfos; e nesse preciso momento, na terceira hora da manhã, as trompas de Maedhros ouviram-se finalmente, e as bandeiras dos filhos de Fëanor caíram sobre o inimigo pela retaguarda.”
Silmarillion, pp. 205-06Foi então que a principal arma de Morgoth nesta guerra se revelou... a traição dos Homens. Maedhros viu-se atacado pelos próprios Easterlings que o acompanhavam. Mas o destino salvou os filhos de Fëanor que, embora feridos, acabaram por fugir para fora da batalha e escaparam na direcção do monte Dolmed, a Oriente.
Turgon e Fingon foram atacados por uma maré de inimigos três vezes superior às forças que lhes restavam. Gothmog, senhor dos Balrogs conseguiu separar Turgon e Húrin de Fingon, o qual cercou e combateu até ser apenas Fingon a manter-se de pé. Com a sua guarda morta à sua volta Fingon “lutou com Gothmog, até outro Balrog vir por trás e lançar uma faixa de fogo em seu redor. Então Gothmog atingiu-o com o seu machado preto e uma chama branca irrompeu do elmo de Fingon, que se abriu. Assim caiu o rei supremo dos Noldor” (Silmarillion, p. 207).
Turgon e Húrin foram empurrados para os Pântanos de Serech e quando a batalha estava perdida Húrin falou a Turgon, dizendo-lhe:“- Ide agora, senhor, enquanto é tempo! Em vós vive a última esperança dos Eldar; e, enquanto Gondolin existir, Morgoth conhecerá o medo no seu coração.
Mas Turgon respondeu:
- Não muito tempo já poderá Gondolin continuar oculta; e, sendo descoberta, cairá.
Então Huor falou e disse:
- No entanto, se ela existir nem que seja um pouco mais, então da vossa casa virá a esperança de Elfos e Homens. Isto vos digo, senhor, com os olhos da morte: embora aqui nos separemos para sempre e eu não volte a ver as vossas muralhas brancas, de vós e de mim uma nova estrela nascerá. Adeus!
E Maeglin, sobrinho de Turgon, que se encontrava perto, ouviu as palavras e não as esqueceu, mas não disse nada.
Então Turgon aceitou o conselho de Húrin e Huor e, chamando quantos restavam da hoste de Gondolin e os que puderam ser reunidos da gente de Fingon, retirou na direcção do desfiladeiro de Sirion.”
Silmarillion, p. 207)Foi assim que Turgon conseguiu escapar para o seu reino. E de novo mandou os seus mensageiros às bocas do Sirion que com a ajuda de Círdan construíram sete barcos velozes que navegaram para Ocidente mas nunca nenhumas notícias chegavam à ilha de Balar (onde estava Círdan, Gil-galad e outros Elfos). Turgon sacrificou desta forma muitos bravos aventureiros, dos sete barcos apenas um Elfo regressou com vida, Voronwë era o seu nome e fora salvo por Ulmo de forma a conduzir Tuor, que levava o último aviso de Ulmo.
O pensamento de Morgoth estava centrado em Turgon pois este escapara-lhe, ele que de todos os seus inimigos era aquele que mais desejava aprisionar ou destruir. Esse pensamento atormentava-o, pois Turgon era da poderosa casa de Fingolfin e como tal tornara-se o Rei Supremo dos Noldor. Morgoth odiava a casa de Fingolfin, tinha o favor de Ulmo, seu inimigo, e Fingolfin deixara em Morgoth feridas que não mais cicatrizavam...
No ano 495 Voronwë e Tuor chegam a Gondolin e Turgon reconhece os artefactos que Tuor transporta como os que tinha deixado em Nevrast, a pedido de Ulmo. Tuor transmite as palavras do Vala a Turgon que após meditar, nestas e nas palavras de Ulmo havia muito tempo, é insensato e decide ignorar os avisos de Ulmo traçando assim o destino de Gondolin – a destruição. Gondolin tornara-se tão bela como Tirion e Turgon ainda confiava na sua força secreta e inconquistável, Turgon tornara-se orgulhoso demais e Maeglin sempre falava contra Tuor nesse aspecto e como era essa a vontade de Turgon as suas palavras ainda pareciam mais sensatas aos ouvidos do Rei.
Em 501 Húrin, que tinha sido solto por Morgoth (mas era vigiado de perto pelos seus espiões), pára diante dos penhascos das Echoriath após ter tentado encontrar a entrada para Gondolin, sem sucesso, e falou em voz forte:“- Turgon, Turgon, lembra-te do pântano de Serech! Ó Turgon, não ouves nos teus salões ocultos? – mas não lhe respondeu nenhum som, a não ser o do vento na erva seca.”
Silmarillion, p. 244Desta forma, inconscientemente, Húrin revelou a Morgoth a localização aproximada de Gondolin, e ele ficou contente pois os seus propósitos estavam a ser cumpridos.
Tuor que caíra nas boas graças de Turgon e tinha arrebatado o coração de Idril, filha do Rei, provava ser um elemento valoroso dentro da cidade escondida, mesmo sendo um Homem e tão elevada era a sua posição que nem a mão da sua filha Turgon lhe recusou e ambos casaram no ano de 502. Quem não gostava muito da sua popularidade era Maeglin que secretamente também amava Idril, que por ele não sentia amor algum.MaeglinNuma altura em Eärendil, o filho de Tuor e de Idril, ainda era jovem Maeglin, que desrespeitava as ordens de Turgon e saía para além do cerco dos montes, foi capturado por Orcs e levado à presença de Morgoth que lhe prometeu o senhorio de Gondolin e a posse de Idril Celebrindal quando a cidade fosse tomada e caso ele lhe revelasse a localização exacta da cidade e os caminhos pelos quais podia aceder a ela. O desejo por Idril e o ódio por Tuor fizeram com que a traição de Maeglin fosse mais fácil e ele regressou a Gondolin preparando-se para ajudar os invasores pela parte de dentro da cidade.
Quando Eärendil tinha apenas sete anos Morgoth decidiu que estava pronto para atacar e assim mandou os seus Orcs, Balrogs, Dragões e Lobos para a conquista. O povo de Gondolin estava nas muralhas à espera de ver nascer o Sol e entoar-lhe os seus cantos, pois no dia seguinte era a grande festa a que chamavam Portas do Verão. A vigilância estava diminuída r não havia maneira de conter o avanço dos exércitos do inimigo antes de eles se encontrarem debaixo das muralhas da cidade, e a cidade foi sitiada sem esperança.

A Queda de Gondolin

Pesadas baixas sofreu Morgoth no assalto, Turgon também mas Idril, Tuor e Voronwë conseguiram escapar por uma passagem secreta que Idril tinha construído e da qual ninguém sabia. A fuga só foi possível devido ao sacrifício de Glorfindel que deu a vida ao lutar com um Balrog que queria impedir a fuga. Com eles escaparam cerca de mil refugiados de Gondolin que se juntaram aos sobreviventes das batalhas de Doriath perto das Bocas do Sirion.
Grandes feitos se realizaram nessa batalha, muitos Balrogs foram abatidos, incluindo Gothmog o seu senhor, Maeglin foi morto e pagou a sua traição dessa forma e Turgon recusou-se a abandonar a sua cidade. Devido à morte de Gothmog na fonte do pátio do Rei as forças do inimigo vacilaram, e nessa altura o próprio Turgon juntou-se à batalha, a brandir a sua espada – Glamdring – e defendeu o que restava da sua cidade com todas as suas forças. Mas os defensores eram mortos um a um até que apenas um punhado de soldados estava reunido à volta do seu Rei que disse:“Grande é a queda de Gondolin... Mal eu vos trouxe apesar das palavras de Ulmo e agora ele deixa-a arder no fogo... Já não existe esperança no meu coração para a minha cidade e nenhum golpe mais vou eu deferir... Deixem Tuor ser o vosso guia e líder, mas eu, Turgon não vou deixar a minha cidade e vou arder nela.”
HoME vol. 2 – A Queda de GondolinAvisado por Ulmo, com muita antecedência, de que o fim da cidade estava próximo, Turgon decidiu ficar na cidade. Turgon podia ter restaurado a esperança dos Noldor levando o seu povo para sul, para longe dos exércitos de Morgoth... por outro lado essa medida teria apenas adiado o inevitável. A verdadeira esperança dos Noldor residia em Aman e não em estratégias. Assim acabou o reinado de Turgon, o sábio, que foi Rei supremo dos Noldor e senhor da mais bela cidade Élfica jamais construída na Terra Média – Gondolin.

Turgon

Este artigo foi escrito por Olórin