A Guerra da Última Aliança

Escrito por Arvedui. Publicado em Outros

Prelúdio

A paz vivida na Terra Média após os Anos Negros do domínio de Sauron chegou finalmente ao fim com o acontecimento chave da 2º Era, a Queda de Numeror. O desaparecimento da “Ilha da Estrela” ou o suicídio de Numeror induzido por Sauron teve importantes consequências para a história da Terra Média na 2º e 3º Era.
Os resultados do cataclismo foram, além da submersão da ilha, a fundação dos dois grandes reinos dos Dúnedain e o regresso de Sauron à Terra Média com todo o perigo que a sua ambição representava para o Ocidente.
Diz a história em Imladris que nove navios de fiéis escaparam nas asas da tempestade à ira de Ossë. Esta frota acabou por, quase milagrosamente, acostar: os navios de Elendil na costa de Lindon ( reino Noldorin de Gil Galad) e os de Isildur e Anárion na baía de Belfalas (colónia Numenorean). Assim se iniciou a fundação dos dois grandes reinos dos exilados de Numeror, Arnor no Norte e Gondor no Sul.
Foi uma época em o Poder dos Eldar se renovou apoiado por estes dois jovens e ousados reinos. Nova fonte de força, a Nação Dúnedain extendia-se desde as planícies geladas de Forodwaith ás verdes veredas de Emyn Arnen passando por Calernadhon (futuro Rohan) e o vau do Ent. A esta extensão Geográfica correspondiam várias e grandiosas obras do engenho de Numeror na Terra Média, a estrada Fornost- Minas Anor, as fortalezas de Angrenost( Isengard) e Aglarond ( Forte da Trompa), a fantástica cidade fluvial de Osgiliath e as fortalezas que a rodeavam Minas Anor e Minas Ithil, que somadas a uma população forte e em crescimento,a um conhecimento tecnológico de metalurgia, engenharia e construção naval, a uma eficiente e rápida cadeia de comunicação( as Palantir) e ao período de paz resultante da ausência de Sauron mostravam o novo poderio de Arnor e Gondor.
O regresso de Sauron a Mordor onde instalou o seu quartel-general e capital foi apenas a continuação de um conflito que durava desde as trevas de Morgoth. Fulgurantemente reconstruiu o seu império no oriente em Rhun, reuniu sobre a sua influência os principiados dos Numenoreanos Negros e reconstruiu os picos de Barad-Dûr. Os seus exércitos de orcs tornados mais numerosos a cada semana, reforçado por hostes do oriente e do sul, Sauron reforjou-se num senhor da guerra deixando para trás todo o aspecto belo.
A sua arma mais poderosa, um terrível anel em que havia fundido a sua própria essência mostrava à Terra Média que a Paz tinha acabado e já sob os ígneos e tenebrosos fumos da Orudruin marchavam para a conquista as incontáveis hordas do tenente de Morgoth.
A grande Guerra da Última Aliança aproximava-se o confronto entre o poderio de Sauron e a força e liberdade dos Eldar e Edain.

1º Fase- Ataque de Sauron a Gondor

O primeiro a tomar a iniciativa contra os seus inimigos foi Sauron que decidido a derrotar primeiro o poder dúnedain mais próximo lançou os seus exércitos sobre Minas Ithil defendida por Isildur. A praça não aguentou muito tempo e sem esperança de socorro Isildur abandonou a cidade através do rio, entretanto a Árvore Branca ardia e as hordas de Sauron marchavam para Osguiliath. Mas tal não foi o fim do símbolo da amizade dos Dúnedain e Eldar graças a Isildur que mais uma vez salvou a árvore da extinção.
Possivelmente a estratégia de guerra de Sauron visava a destruição de Gondor a médio prazo e o enfraquecimento dos seus inimigos a longo prazo, avançando directamente para capital atrairia os exércitos de Gondor para uma batalha frontal que lhe permitiria aniquilar toda a força armada de um reino e ainda a sua capital em caso de vitória.
Isildur viajara por via marítima a Lindon com o intuito de alertar Elendil e os elfos da guerra começada por Sauron. Este atacara Osgiliath mas o seu ataque falhou perante a resistência determinada do povo de Gondor liderado por Anárion que se via obrigado a reconhecer que sem apoio nem reforços o seu reino estaria perdido. Entretanto as hostes de Mordor reagrupavam-se e reconstruíam-se.
Esta primeira fase conclui-se com um empate técnico pois Sauron apesar de ter capturado Minas Ithil foi repelido em Osgiliath anulando o seu plano de conquista, no entanto Gondor teve de reconhecer a necessidade imperiosa de pedir auxílio e defender-se enquanto este chegava. Mas Sauron não previra que no calor do incêndio de Minas Ithil forjara a futura aliança de Elendil e Gil Galad.

2º Fase A Última Aliança e a concentração de Imladris

Face ao perigo que Sauron mostrara ser e ao seu poder foi claro aos líderes dos povos livres que caso não se unissem os seus povos cairiam um por um sob as hordas orcs. Elendil e Gil Galad juntaram-se para o que seria o derradeiro desafio das suas vidas, percebendo que Sauron apenas podia ser derrotado com uma união dos povos que se lhe opunham. Essa união foi a Última Aliança firmada por Gil Galad alto rei dos Eldar, Elendil alto rei dos Dunédain e presume-se um representante do povo de Durin de Mória. Extensamente a aliança contou com a adesão de Arnor, Lindon, Lórien, Reino da Floresta, Gondor, Moria e várias outras nações e raças como os homens dos vales do Anduin , Ents e animais silvestres.
A principal Hoste do Ocidente concentrou-se em Imladris( Rivendell) com as hostes de Arnor e Lindon num esplendor e força só ultrapassadas pelas hostes do Valar. Sob o duplo comando de Gil Galad e Elendil o exército aliado com o intuito de atacar directamente Mordor subiu por várias passagens das montanhas nebulosas onde se dirigiu para a futura planície da batalha. È de supor que no campo de Celebrant se lhe tenham reunido as hostes de Tranduil, Amroth e Anárion para a preparação da maior batalha da era. Durante este tempo Sauron não esteve ocioso, informado da nova aliança reforçou o seu poder e enviou todas as tropas que pode dispensar para as passagens das montanhas nebulosas conservando o restante uma enorme e diversificada mistura de orcs, trolls, homens do sul e oriente para enfrentar o ataque do Ocidente.

3º Fase Dagorlad, o Cerco a Barad Dûr e a Derrota de Sauron

Nas semanas fatídicas da batalha da Dagorlad, na batalha em que “Todas as coisas vivas foram divididas…” o destino da segunda era apressava-se para o seu fim através de uma das maiores batalhas presenciadas pela Terra Média. Durou várias semanas, devastou quase completamente a terra onde se travou e levou à morte de incontáveis guerreiros de ambos os lados mas a vitória esteve do lado de Elendil e Gil Galad cujas armas e a ira dos elfos e dúnedain trespassaram as hostes de Sauron. Cada metro cedido por grande perda as hordas de Sauron fugiram para Mordor agora aberta às forças da Última Aliança. Tal foi a devastação e a mortandade da batalha que as regiões mudaram de acordo com os acontecimentos, Dagorlad tornara-se uma planície erma, os antigos jardins das Esposents foram completamente arrasados por Sauron de tal maneira que a região onde existiam recebeu o nome de Terras Castanhas e uma nova região de medo surgia sob os pântanos dos Mortos, dos guerreiros caídos da batalha.
A estratégia dos membros da Última Aliança agora que tinham desimpedido os acessos ocidentais a Mordor foi avançar e procurar Sauron no sua própria torre, cercá-lo e simultaneamente impedir que atacasse Gondor ( pela passagem de Cirith Ungol) ou recebesse reforços do resto do seu império a sul e oriente.
Assim o exército avançou para o terrível cerco de Barad Dûr que duraria sete anos. Sete anos sangrentos e custosos de inúmeras perdas para os sitiantes que não conseguiam assaltar a Barad Dûr e sofriam com as constantes barragens, sortidas e chegadas de reforços do Oriente e Sul. Anárion pereceu no cerco morto por uma pedra lançada das terríveis ameias da Torre Negra e com ele muitos elfos e dunédain de poder e sabedoria para que o poder de Sauron lenta e custosamente fosse destruído tal como se suga veneno de uma ferida.
Os esforços saldaram-se num bloqueio tão completo que levou o próprio Sauron a arriscar-se a jogar tudo por tudo numa derradeira sortida. E aí sob os fumos acres do ígneo Orodruin que Sauron envergando o Anel do Poder se mostrou a Elendil e Gil Galad. O seu poder foi demasiado forte mesmo para estes reis possantes consumiu Gil Galad num fogo negro e quebrou Elendil e Narsil.
Mas a vitória aparente de Sauron desvaneceu-se com a chegada de Isildur que derrubado por Sauron tomou os cumes quebrados de Narsil e com eles rompeu de Sauron o seu Grande Anel. Privado do objecto ao qual associara tão fortemente a sua essência e mente o tirano da Terra Média caiu sobre si mesmo e o seu espírito incorpóreo fugiu da vitória e luz de uma nova era.
Infelizmente Sauron apenas fora repelido. Perdurava ainda como o grande mal do Mundo devido à infelicidade de Isildur que o levou a poupar o anel. Assim se pode dizer que a Guerra da Última Aliança foi a 1º Guerra do Anel que se voltaria a travar na Terceira Era com final destruição de Sauron e do maligno objecto.

Consequências da Guerra da Última Aliança

Para os povos da Liga:

Eldar:
º Perda irrecuperável para os Elfos de numerosos elementos de poder e sabedoria. Além disso as baixas que tiveram pararam a renascença que viviam sob Gil Galad.
º Derradeiro declínio dos Eldar. Politicamente sem o alto rei seria mais difícil voltar a unir os reinos dos Eldar. Demograficamente as baixas da guerra juntamente com o lento crescimento demográfico dos elfos levaram um declínio da população élfica. No plano Geo Político os reinos élficos perdiam o seu poder e influência que não voltariam a recuperar.
º A morte de Gil Galad representou o fim da linha de altos reis dos Noldor na Terra Média.
Dúnedain:
º Apesar das grandes baixas e perdas na Dagorlad e no cerco a Sauron os reinos dos Dunedain prosperavam e recuperaram relativamente depressa.
º Arnor e Gondor tornavam-se com a derrota de Sauron e o declínio dos Elfos os poderes dominantes no Ocidente, Noroeste e próximo Sul e Oriente da Terra Média. Gondor especialmente recebeu grandes aquisições territoriais ( totalidade de Mordor e terras em Rhovanion).
ºA fuga dos Nazgûl revelou-se extremamente danosa pois permitiu mais tarde a destruição de Arnor pelo Capitão Negro.
º A trágica e heróica morte de Elendil e de Isildur dividiram politicamente Arnor e Gondor levando mais tarde ao declínio e destruição do primeiro.
º A tragédia dos campos alegres e a perda do anel soberano levariam mais tarde à guerra do anel.

Homens de Eriador:
ºRedução da população em virtude ás baixas de guerra.

Anões de Khâzad Dum ( Casa de Durin):
ºAs baixas do conflito podem ser vistas como uma das causas do despovoamento de Mória até ao seu colapso final.
Ents:
ºA guerra da última aliança devastou as terras onde se localizavam o jardins das Esposents. Com o desaparecimento do seu “habitat” as Esposents possivelmente pereceram ou migraram contribuindo para a diminuição dos Ents, uma vez que todas as buscas foram infrutíferas.

Império de Sauron:

Orcs e Trolls:
º Avassaladoramente diminuídos os reduzidos orcs e trolls que sobreviveram à Dagorlad e ao cerco quase desapareceram da Terra Média. Para além dos poucos que escaparam para o Oriente com os Nazgûl apenas sobrou o pequeno destacamento que atacou Isildur e alguns pequenos povoados nas Montanhas Nebulosas nomeadamente no Monte Gundabad.

Harad e Rhun ( Easterlings, Haradrim e Numenorianos Negros)
º As suas terras virgens de batalhas da guerra permaneceram sob o secreto domínio de Sauron e eventualmente depressa regressariam ao seu império.
º É de supor que recuperaram rapidamente das baixas apesar das guerras civis.
º O facto de não terem sido derrotados fará com que invadam Gondor numerosas vezes desde os Viajantes de Carro aos Haradrim durante a Guerra do Anel.
º Tornaram-se o novo centro dos apoiantes de Sauron com a destruição de Mordor. Albergando os Nazgûl após a sua fuga.
º Transformação do Porto de Umbar no grande centro de oposição a Gondor.
º Início do declínio dos Numenorianos Negros. Curiosamente vários sobreviveram no extremo norte ( Angmar) ou Umbar, um destes sobreviventes viveu até à 3º Era onde ficou conhecido como “A Boca de Sauron”.

Sauron:
º Despojado da sua forma física foi obrigado a conceder uma época de paz à Terra Média.
º Destruição de toda a sua máquina de guerra e dispersão dos seus apoiantes.

Conclusão
A Guerra da Última Aliança foi perdida nos campos de batalha por Sauron e no futuro da Terra Média pela Última Aliança, Sauron fora derrotado mas não destruído e enquanto o seu anel subsistisse o seu regresso seria provável.
Os Dúnedain e Eldar afastaram-se para mal dos seus povos e a guerra fora terrível para todos eles, praticamente todos os grandes líderes pereceram Elendil, Gil Galad, Anárion e Isildur e com eles muitos da maior e mais gloriosa hoste da Terra Média recordados pela Árvore Branca na cidadela de Minas Anor como um memorial colectivo de Isildur a Anárion e a todos os que pereceram e sofreram pela sua liberdade.
Os próprios reinos dos Dúnedain dividiram-se e Arnor caiu sob o Capitão Negro de Sauron e Gondor depois de um período de glória entrou num definhamento lento até à (aparente) extinção da linha de Elendil.
A paz fora conseguida por um tremendo preço mas na realidade apenas fora concedida uma trégua até ao regresso do Senhor das Trevas mas os heróis e lendas deste tempo perduraram sempre nas histórias dos Homens e nos cantos dos Eldar.

Estimativas dos Combatentes:

Eldar
Lindon- 80 000 a 100 000
Rivendell - 20 000
Lórien - 20 000
Reino da Floresta - 30 000

Dúnedain
Arnor- 100 000
Gondor - 120 000

Anões
Mória- 8000

Ents - 200 a 300

Homens de Eriador- 5000 a 10 000

Império de Sauron

Mordor- 400 000 a 500 000

Rhûn- 50 000 a 70 000

Harad- 50 000 a 70 000

Anões- Inderterminado.

Mapa da Última Aliança

Este artigo foi escrito pelo Arvedui