Os Silmarils - As Jóias de Fëanor

Escrito por Gwen. Publicado em Artefactos

Os Silmarils são 3 grandes pedras preciosas feitas por Fëanor, ainda em Valinor, e que tinham aprisionadas em si a luz misturada das Duas Árvores, Telperion e Laurelin. Fëanor concentrou todo o seu saber, poder e arte para fazer estas jóias, de maneira a que a luz das Duas Àrvores, a glória do Reino Abençoado, pudesse ser mantida imperecível.



Todos quantos habitavam em Aman ficaram maravilhados com o trabalho de Fëanor; e Varda, Senhora das Estrelas, sagrou os silmarils para que nenhumas mãos impuras nem coisa alguma de natureza má pudessem tocar-lhes sem ficarem queimados; e Mandos predisse que os fados de Arda, Terra, Mar e Ar, estavam fechados dentro deles. Mas o coração de Fëanor prendeu-se a essas coisas que ele próprio fizera.

Melkor cobiçou os Silamrils e a simples recordação da sua radiância era um fogo a devorar-lhe o coração. Procurou então uma maneira de destruir Fëanor e terminar a amizade entre os Valar e os Elfos; assim, com mentiras, lançou nos corações dos Eldar que os Valar os tinham trazido para Aman por causa da sua inveja, com medo que os seus trabalhos se tornassem demasiado grandes e não pudessem ser controlados, se fossem para Oriente e governassem poderosos reinos, consoante a sua vontade. E antes que os Valar se apercebessem, a paz de Valinor estava envenenada e uma chama de desejo de liberdade e reinos mais vastos ardia no coração de muitos Elfos, e com mais força no coração apaixonado de Fëanor; e Melkor ria-se, pois para esse alvo apontara ele as suas mentiras.

Melkor planeou com Ungoliant, uma criatura monstruosa com a forma de aranha, sedenta de luz e que Melkor corrompeu para o seu serviço, a destruição das Duas Árvores; e Ungoliant teceu uma capa de negrume, uma antiluz que os olhos não podiam penetrar e assim se aproximaram de Valinor. Então, a antiluz de Ungoliant atingiu as raízes das Duas Árvores e Melkor trespassou com uma lança preta cada Árvore até ao cerne e Ungoliant sorveu a sua luz até ficarem secas, murchando-as, e assim caiu sobre Valinor a grande escuridão.

Manwë viu uma escuridão mais escura ainda do que a noite e que os seus olhos não conseguiam penetrar e soube que Melkor viera e partira. Iniciou-se a perseguição, mas os cavaleiros dos Valar ficavam cegos e dispersavam-se perante o negrume da nuvem de Ungoliant e ficaram impotentes.

Yavanna disse que podia devolver as Árvores à vida com a luz contida dentro dos Silmarils; mas Fëanor sabia que nunca faria umas jóias com tanto esplendor e hesitou em entregá-las a Yavanna, pois o seu coração afeiçoara-se muito à sua obra; e entretanto chegaram mensageiros e disseram que Melkor tinha estado na casa de Fëanor, matara Finwë, seu pai e rei dos Noldor e roubara os silmarils.

Então, Fëanor amaldiçoou Melkor, a quem chamou Morgoth, o inimigo negro do mundo e convenceu muitos do povo Noldor a segui-lo para a Terra Média, para recuperarem os silmarils; falou contra os Valar e fez um juramento terrível com os seus 7 filhos: perseguir com ódio e vingança quem quer que tivesse um silmaril na sua posse, fosse quem fosse.

E assim Fëanor conduziu os Noldor de regresso à Terra Média, seguindo Morgoth com ideias de vingança, que se proclamara entretanto rei do mundo e tinha forjado para si uma coroa de ferro e nela incrustara os silmarils. Mas as suas mãos ficaram pretas e queimadas pelas pedras sagradas e jamais se livrou da dor das suas queimaduras.

Muitas batalhas travaram os Noldor contra Morgoth, enquanto estabeleciam os seus reinos na Terra Média. Fëanor pereceu logo na 1ª Batalha, a Batalha-sob-as-estrelas. Apesar dos Noldor terem sido apanhados desprevenidos e de serem númericamente inferiores, tornaram-se rápidamente vitoriosos, pois a luz de Aman não se apagara dos seus olhos e eles eram fortes e terríveis na sua cólera. Os Orcs enviados por Morgoth fugiam diante deles e más foram as notícias que chegaram a Angband, a fortaleza de Morgoth. No entanto, na sua cólera contra o inimigo, Fëanor recusou-se a parar e perseguiu o resto dos Orcs, pensando que assim chegaria ao próprio Morgoth e afastou-se muito da vanguarda do seu exército; e vendo tal, saíram de Angband os Balrogs e Fëanor foi cercado com poucos amigos à sua volta. Longamente lutou, destemido, embora estivesse envolto em fogo e muito ferido, mas por fim foi derrubado por Gothmog, senhor dos Balrogs. Aí teria perecido mas os seus filhos chegaram com forças em seu socorro; e os Balrogs regressaram a Angband. No entanto, as feridas de Fëanor eram mortais e ele amaldiçoou três vezes o nome de Morgoth e exigiu aos filhos que fossem fiéis ao seu juramento e vingassem o pai, morrendo de seguida.

Assim se iniciou muitas guerras sem esperança contra Morgoth, como conta o “Quenta Silmarillion”. Durante a 1ª Era um silmaril foi recuperado da coroa de ferro de Morgoth, mas não por nenhum dos filhos de Fëanor.

Barahir era um Homem da casa de Hador, uma das 3 casas dos amigos dos Elfos, e não quis abandonar Dorthonion quando Morgoth o perseguiu implacávelmente. Por fim só restavam 12 companheiros a Barahir e através de mentiras, Morgoth conseguiu saber o esconderijo deles e matou Barahir e todos os seus companheiros. Só Beren, seu filho, sobreviveu, pois fora mandado pelo pai numa missão perigosa espiar o inimigo e encontrava-se longe quando o esconderijo foi assaltado. Beren fez um juramento de vingança e quando descobriu o acampamento dos Orcs, matou o seu chefe, que se vangloriava dos seus feitos e mostrava a mão de Barahir, que cortara para mostrar a Sauron que a sua missão estava cumprida. Beren matou o chefe dos Orcs e conseguiu fugir com a mão de seu pai - onde se encontrava o anel que Felagund lhe tinha oferecido, por o ter salvo na Batalha da Chama Súbita. Esse Anel tornou-se uma herança da casa de Isildur. Durante 4 anos Beren fugiu aos servos de Morgoth e um dia entrou no Reino Escondido de Doriath, que nenhum pé mortal ainda pisara.

Aí conheceu Lúthien, filha do rei Thingol e da Maia Melian, a mais bela de todos os filhos de Ilúvatar, e um grande amor nasceu entre eles. Por fim, Beren atreveu-se a pedir a mão de Lúthien a seu pai; ora Thingol achava os Homens muito inferiores e não queria de maneira nenhuma que a sua filha se unisse a um; então, disse a Beren que podia desposar Lúthien se lhe trouxesse um silmaril da coroa de Morgoth.

Beren partiu de Doriath decidido a conquistar um silmaril; mas Lúthien, temendo por ele, fugiu de Doriath para o ajudar nessa tarefa, aparentemente impossível.

Muitas aventuras e muitas dificuldades passaram, mas no meio de tudo isso, puderam contar com a ajuda de Felagund, rei de Nargothrond; pois este fizera um juramento de amizade e ajuda a Barahir e toda a sua casa, por o ter salvo na batalha da Chama Súbita e deu a Barahir o seu anel, como prova desse juramento. E Felagund, ao ver o filho de Barahir a precisar do seu auxílio, cumpriu o seu juramento e acompanhou Beren na sua procura do silmaril; e morreu a defendê-lo nas masmorras da Ilha de Sauron.
Também contaram com a ajuda de Huan, o grande cão de caça de Valinor, que Oromë, um Vala, deu a Celegorm, um dos filhos de Fëanor. Huan tornou-se amigo de Beren e Lúthien e auxiliou-os muito nas suas aventuras. Huan era leal de coração, mas Celegorm era cruel e traiçoeiro e Huan resolveu ajudar Lúthien e Beren. Huan compreendia tudo o que lhe diziam, pois entendia a fala de todos os seres que tinham voz; mas a ele só era permitido falar três vezes com palavras antes da sua morte. A primeira vez falou a Lúthien a aconselhá-la sobre a forma de fugir do cativeiro a que Celegorm a forçava; e permitiu que Lúthien o montasse e assim fugiram. A segunda vez foi para aconselhar Beren a não desistir da sua procura, pois Beren temia muito por Lúthien. Huan disse-lhe que já não podia salvar Lúthien da morte, pois pelo seu amor ela estava-lhe sujeita. Era melhor desafiarem a sorte juntos e lutarem por aquilo que desejavam.

Passaram por todos os perigos até chegarem ao lúgubre vale que existe diante da porta de Angband, a grande fortaleza-masmorra de Morgoth. Diante da grande porta estava Carcharoth, uma fera terrível; mas Lúthien, com o antigo poder da sua raça divina, conseguiu pô-lo a dormir e assim realizaram o impossível e chegaram ao trono de Morgoth no seu mais baixo salão, que era defendido pelo terror.

Beren ia disfarçado de lobo e conseguiu aproximar-se do trono; mas Lúthien foi despojada do seu disfarce pela vontade de Morgoth, que baixou para ela o olhar. Ela não se assustou com os seus olhos, disse o seu nome e ofereceu-se para cantar para ele. E Morgoth, ao ver a sua beleza, concebeu no seu pensamento um desígnio mais negro do que qualquer outro que entrara no seu coração desde que fugira de Valinor. Assim, foi enganado pela própria malvadez, pois observou-a livre alguns momentos; e ela esquivou-se da sua vista e, na sombra, entoou um canto de tão inultrapassável beleza e poder que ele por força a ouviu; e uma cegueira o tomou, enquanto os seus olhos a buscavam de um lado para o outro. Toda a sua corte adormeceu e as fogueiras se apagaram; mas os silmarils brilharam com uma radiância de chama branca e o peso da coroa de ferro e das pedras preciosas curvou a cabeça de Morgoth. E Lúthien passou a sua capa diante dos olhos dele, mergulhou-o num sonho negro e ele caíu. A coroa rolou-lhe ruidosamente da cabeça e todas as coisas se imobilizaram.

Beren jazia no chão, mas Lúthien tocou-lhe e despertou-o; e ele abandonou a forma de lobo, empunhou a faca Angrist e soltou 1 silmaril.

Quando o fechou na mão, a radiância traspassou-lhe a carne viva, mas a jóia aceitou o seu contacto e não o magoou. Então, Beren pensou ir para além do seu juramento e levar as 3 jóias de Fëanor, mas não era esse o destino dos silmarils. A faca Angrist quebou-se, um fragmento da lâmina saltou e cravou-se numa face de Morgoth. Ele rosnou, mexeu-se e todos os habitantes de Angband se moveram no sono.

Então, o terror apoderou-se de Beren e Lúthien e fugiram sem disfarce. Não foram detidos, mas Carcharoth erguia-se, irado, e saltou para eles, enquanto corriam.
Lúthien estava exausta e não teve forças para dominar o lobo. Beren colocou-se à frente dele e ergueu o silmaril diante dos olhos da fera:
"Vai-te embora e foge! - gritou - está aqui um fogo que consumirá todas as coisas maléficas".

Mas Carcharoth não teve medo e abocanhou a mão e cortou-a pelo pulso. Mas o silmaril queimou-lhe a carne maldita e fugiu diante deles, aos uivos. Tornou-se terrível na sua loucura, pois o poder do silmaril estava oculto dentro dele.

Beren jazia, desfalecido, mas Lúthien sugou o veneno e concentrou o seu poder no estancamento da hedionda ferida; e Thorondor e os seus vassalos, que os procuravam, ergueram Lúthien e Beren do chão e subiram com eles para as nuvens e depositaram-nos em Doriath. Huan acorreu em socorro de Lúthien e juntos trataram de Beren.

Por fim, Beren resolveu falar de novo com Thingol, pois na verdade, estava um silmaril dentro da sua mão, dentro de Carcharoth; e a disposição de rei adoçou-se e pareceu a Thingol que aquele homem era diferente de todos os outros; por isso, dominou a sua vontade e Beren tomou a mão de Lúthien diante do trono de seu pai.

Mas abateu-se nova sombra sobre a alegria de Doriath, pois Carcharoth aproximava-se de Menegroth, consumido por uma loucura destruídora. Portanto, prepararam uma caçada ao lobo, a mais perigosa de todas as perseguições de que as histórias falam.

Beren foi mortalmente ferido, quando saltou para a frente de Carcharoth, que ia atacar Thingol. Huan saltou para as costas do lobo e lutaram ferozmente. Travaram um combate de morte, pois Huan matou Carcharoth mas foi também mortalmente ferido, e o veneno de Morgoth entrou nele.

Huan caíu ao lado de Beren e falou pela 3ª vez, despedindo-se antes de morrer. Beren não falou mas colocou a mão na cabeça do cão e assim se despediram.

Mablung pegou numa faca e abriu a barriga do lobo e encontrou-o por dentro todo consumido; mas a mão de Beren que segurava o silmaril estava incorrupta. Quando Mablung fez menção de lhe tocar, a mão desapareceu e só ficou o silmaril, que Mablung colocou na mão viva de Beren. Este reanimou-se com o seu contacto e pediu a Thingol que o recebesse.

Transportaram Beren e Huan numa maca para Menegroth e Lúthien abraçou-o e beijou-o e disse-lhe que a esperasse para além do mar ocidental.

E o espírito de Beren, a mando dela, demorou-se nas Mansões de Mandos, sem vontade de deixar o mundo, até Lúthien lhe ir dizer o último adeus.
E o espírito de Lúthien mergulhou em escuridão e, por fim, libertou-se e foi para as mansões de Mandos, ajoelhou-se diante dele e cantou-lhe. Foi a canção mais bela que jamais de palavras se teceu e a mais triste que o mundo jamais ouvirá, pois Lúthien teceu dois temas de palavras, do desgosto dos Eldar e do sofrimento dos Homens. E Mandos compadeceu-se e chamou Beren, e tal como Lúthien dissera na hora da sua morte, reencontraram-se para além do mar ocidental.

E Manwë procurou conselho no seu pensamento, onde a vontade de Ilúvatar se revelava, e deu 2 alternativas a Lúthien. Podia ir para Valinar, onde habitaria com os Valar, esquecendo todos os desgostos; ou podia regressar à Terra Média e levar Beren consigo, para lá viverem de novo, mas ela tornar-se-ia mortal. Esse destino ela escolheu, recusando o Reino Abençoado, para que os destinos de ambos se pudessem juntar para lá dos confins do mundo.

Morgoth, cuja maldade contra a casa de Hador era insaciável, libertou Húrin do seu cativeiro depois da morte dos seus filhos, Túrin e Nienor, lançando sempre uma má luz sobre as coisas que Thingol e Melian tinham feito, pois odiava-os e temia-os. O seu objectivo era que Húrin aumentasse ainda mais o seu ódio pelos Elfos e pelos Homens, antes de morrer.

Húrin dirigiu-se para Nargothrond, a grande fortaleza subterrânea de Felagund, e depois de matar Mîm, o pequeno Anão, que atraiçoara Túrin, levou o Colar dos Anões, feito para Finrod Felagund pelos Anões de Nogrod e Belegost, a mais famosa de todas as obras nos tempos antigos. E dirigiu-se para Doriath e ofereceu o Nauglamír a Thingol, desdenhosamente, pois estava envenenado com as palavras de Morgoth. Mas Melian falou com Húrin e ele, compreendendo as intenções do Senhor Escuro, ofereceu o Nauglamír a Thingol como agradeciomento por ter ajudado os seus filhos e esposa; e depois partiu.

Thingol lembrou-se que o Nauglamír deveria ser refeito e que nele devia ser posto o silmaril; pediu então aos Anões de Nogrod que o encastoassem no Colar dos Anões. E o seu desejo cumpriu-se e as duas maiores obras de Elfos e Anões ficaram unidas e tornadas numa só. Então, Thingol quis pegar-lhe e pô-lo ao pescoço, mas os Anões recusaram-lho, dizendo que ele não tinha direito ao colar feito pelos seus antepassados; mas a verdade é que uma grande cobiça se tinha apoderado deles. E mataram Thingol, rei de Doriath, e fugiram. Mas as notícias correram céleres e foram perseguidos até à morte; apenas 2 Anões conseguiram escapar e chegar a Nogrod, onde disseram que Thingol quisera privá-los da sua recompensa. O Nauglamír foi recuperado pelos Elfos e levado com profunda mágoa a Melian, a rainha.

Melian, desgostosa, desapareceu da Terra Média e foi para Valinor, recomendando que o Colar com o silmaril devia ser entregue a Lúthien e Beren, que viviam em Ossiriand.

Mas os Anões de Nogrod, entraram em Doriath e em Menegroth e travou-se a Batalha das Mil Cavernas, onde muitos Elfos e Anões foram mortos. Mas os Anões saíram vitoriosos, saquearam os salões de Thingol e o Nauglamír foi levado.

A notícia espalhou-se célere, e Beren partiu com o seu filho Dior e com muitos Elfos Verdes de Ossiriand. E assim, quando os Anões de Nogrod regressavam de Menegroth carregados de despojos, foram atacados pelos Elfos e choveram setas sobre eles vindas de todos os lados. Ali morreram muitos Anões, mas alguns escaparam à emboscada e fugiram na direcção das montanhas. E quando subiam as altas encostas, avançaram os Ents, os Pastores das Árvores, que rechaçaram os Anões para as matas sombrias de Ered Lindon, e donde nunca nenhum saíu para escalar os altos desfiladeiros que conduziam a suas casas.
Nessa batalha, junto de Sarn Athrad, travou Beren o seu último combate e matou pessoalmente o Senhor de Nogrod, ao qual arrancou o Colar dos Anões; e olhou maravilhado para a jóia de Fëanor, que arrancara da coroa de Morgoth e ficou com o Nauglamír e Lúthien usou-o. Todo o restante tesouro de Doriath foi lançado ao rio Ascar, que a partir de então recebeu outro nome: Rathlóriel, o leito de Ouro.

Dior, herdeiro de Thingol partiu com a esposa e os filhos para Menegroth e habitou lá; e impôs a si mesmo a tarefa de erguer de novo a glória do reino de Doriath.

Mas numa noite de Outono chegou um Elfo a Menegroth e entregou, em silêncio, um cofre a Dior. Nesse cofre estava o Colar dos Anões com o silamril encastoado e Dior compreendeu que os seus pais tinham morrido e ido para onde vai a raça dos Homens, para um destino que fica para além do mundo.

Os filhos de Fëanor não tinham ousado atacar Lúthien enquanto usou o Colar dos Anões com o silmaril, mas quando souberam que era Dior que o usava agora, lembraram-se do seu juramento e prepararam um ataque a Doriath. E assim se deu a 2ª matança de Elfo por Elfo, e Dior e sua esposa foram mortos. E assim foi Doriath destruída para nunca mais se erguer. Mas os filhos de Fëanor não obtiveram o que procuravam, pois um resto do povo fugiu diante deles e consigo levou Elwing, filha de Dior; escaparam e, com o silmaril, chegaram às bocas do rio Sirion, junto do mar.

Depois da queda de Gondolin, Eärendil, filho de Tuor e Idril, tornou-se senhor do povo que habitava perto das bocas do Sirion e desposou Elwing, a Bela. No entanto, Eärendil pensava em navegar e encontrar a última costa e levar, antes de morrer, a mensagem dos Elfos e Homens para os Valar, a mensagem que despertaria nos seus corações a piedade pelos sofrimentos da Terra Média. Com a ajuda de Círdan, Eärendil construíu Vingilot, o mais belo dos navios cantados, e teve muitas aventuras no mar.

Quando os filhos de Fëanor souberam que Elwing morava nas bocas do Sirion e que tinha o silmaril, enviaram mensagens de amizade e, ao mesmo tempo, de severa exigência. Mas Elwing e o povo de Sirion não queriam prescindir da jóia que Beren conquistara, Lúthien usara e pela qual Dior fora morto, sobretudo enquanto Eärendil, seu senhor, andasse no mar. E assim se veio a dar a última e mais cruel das matanças de Elfo por Elfo; e Elwing lançou-se ao mar, com o silmaril no peito. Assim, Maedhros e Maglor, os únicos filhos de Fëanor que sobreviveram, não recuperaram a jóia; mas ela não se perdeu, pois Ulmo levantou Elwing das ondas e deu-lhe a semelhança de uma grande ave branca, e no seu peito brilhava o silmaril, enquanto ela procurava Eärendil, o seu amado, tendo por fim caído nas madeiras do seu barco.

Grande foi o desgosto de Eärendil e Elwing pela ruína dos portos de Sirion e pelo cativeiro dos seus filhos; e Eärendil procurou mais uma vez o caminho para Valinor, com Elwing a seu lado. Passava muito tempo à proa do Vingilot, com o silmaril preso à fronte; e a luz tornava-se cada vez maior à medida que avançavam para Ocidente. E os sábios disseram que foi por causa dessa jóia sagrada que acabaram por desembarcar nas costas Imortais.

E então Eärendil falou com os Valar e pediu perdão para os Noldor e piedade para os seus grandes sofrimentos, assim como compaixão para com os Homens e Elfos e socorro nas suas necessidades. E a sua súplica foi atendida, pois os Valar resolveram mais uma vez enfrentar Morgoth.

E Manwë decidiu que Eärendil e Elwing não seriam castigados por terem pisado as terras imortais, por amor das duas famílias; mas também não podiam voltar a caminhar nas terras exteriores; e podiam escolher livremente a qual das famílias os seus destinos se uniriam.

Vingilot foi preparado para navegar nos mares do céu, transpôs a Porta da Noite e foi erguido até aos oceanos do céu. Eärendil, o marinheiro, empunhava o leme, com o silmaril preso à sua fronte; e quando o povo da Terra Média olhou e viu, ao longe, um sinal cintilante e luminoso, compreendeu que era um silmaril que brilhava no céu e chamou-lhe Gil-Estel (a Estrela da Alta Esperança).

Elwing ficou em Valinor, mas quando Eärendil se reaproximava de Arda, ela assumia a forma de ave e voava ao seu encontro.

A hoste dos Valar preparou-se para o combate com Morgoth: foi a Grande Batalha ou Guerra da Ira. Morgoth foi vencido, de novo amarrado com a corrente Angainor, a sua coroa de ferro foi transformada numa coleira e os dois silmarils que restavam foram recuperados pelos Valar. Morgoth foi empurrado pela Porta da Noite para lá das muralhas do mundo, para o vazio eterno; e Eärendil vigia nas fortificações do céu.

Maedhros e Maglor prepararam-se, embora com fadiga e repugnância, a cumprir o seu juramento e enviaram uma mensagem a Eönwë, arauto de Manwë, pedindo-lhe que devolvesse as jóias que em tempos, seu pai fizera e Morgoth roubara. Mas Eonwë respondeu que o direito ao trabalho do seu pai caducara, devido às muitas e implacáveis acções que tinham cometido, na cegueira do seu juramento. A luz dos silmarils iria para Ocidente, donde viera ao princípio; e a Valinor deviam também Maedhros e Maglor regressar e aí aguardar o julgamento dos Valar.

Mas ambos resolveram disfarçar-se, e foram ao acampamento de Eonwë, mataram os guardas, apoderaram-se das jóias e fugiram para longe, cada um com um silmaril na mão.

Mas Eonwë tinha razão quando dissera que o seu direito se tornara vazio e que o juramento era vão. A jóia queimou a mão de Maedhros, causando-lhe insuportável dor e lançou-se de um abismo cheio de fogo e assim terminou; e o silmaril que levou consigo foi recebido no seio da Terra.

Maglor também não pode suportar a dor com que o silmaril o atormentava e, por fim, lançou-o ao mar; depois disso ficou a vaguear para sempre nas praias, a cantar de dor e mágoa ao lado das ondas.

E assim aconteceu que os silmarils encontrassem as suas longas moradas: um nos ares do céu, um nos fogos do coração do mundo e um nas águas profundas.

Para mais informações sobre os silmarills, ler a "Segunda Profecia de Mandos"

Luthien dança para Morgoth (1)

Luthien dança para Morgoth (2)

Elwing e Eärendil

Fëanor e os Silmarills (1)

Fëanor e os Silmarills (2)

Este artigo foi escrito por Gwen