Glamdring

Escrito por Olórin. Publicado em Artefactos

Glamdring, a espada que foi utilizada pelas minhas personagens preferidas, Turgon e Gandalf, foi forjada, possivelmente, algures entre o 2º e o 5º século da Primeira Era na grandiosa cidade Élfica de Gondolin. Era branca e dourada e a sua bainha era de marfim.
Turgon entrou duas vezes em batalha com esta maravilha nas mãos, na Nirnaeth Arnoediad e na Queda de Gondolin. Glamdring era muito temida pelos Orcs, ainda na terceira era, o que quer dizer que Turgon deve ter usado muito ferozmente a sua espada em ambas as ocasiões... Depois desapareceu do conhecimento durante cerca de 6000 anos e foi reencontrada na demanda da Montanha Solitária por Bilbo, os Anões e Gandalf.


Após um encontro que poderia ter sido fatal, os companheiros, tiveram acesso à caverna dos Trolls William, Bert e Tom após Bilbo ter desempenhado a sua função de assaltante e ter achado a chave da entrada caída no chão onde os três Trolls tinham lutado momentos antes de se transformarem em pedra. Nessa gruta os companheiros encontraram "ossos no chão e um cheiro desagradável no ar. Mas havia também uma boa quantidade de comida descuidadamente amontoada em prateleiras e no chão, entre uma ainda mais desarrumada colecção de artigos roubados de toda a espécie... Havia também muitas roupas penduradas nas paredes... e, entre elas, diversas espadas de vários feitios e tamanhos. Duas atraíram-lhes particularmente o olhar, por causa das suas bonitas bainhas dos punhos cravejados de pedras preciosas... Gandalf e Thorin ficaram cada qual com a sua...
- Parecem boas lâminas... não foram feitas por nenhum Troll nem por nenhum ferreiro entre os Homens, nestas paragens e neste tempo; mas quando pudermos ler as runas que contêm, ficaremos a saber mais a seu respeito."
Os companheiros seguiram viagem e acabaram por chegar a Rivendell onde Elrond que “sabia tudo acerca de runas de toda a espécie” as identificou:

"- Não foram feitas por Trolls. São espadas antigas, espadas muito antigas dos Elfos Superiores do Ocidente, meus parentes. Foram feitas em Gondolin para as guerras dos Gnomos. Devem ter vindo de um tesouro de um Dragão ou de um saque de Gnomos, pois Dragões e gnomos destruíram essa cidade há muitos séculos. A esta, Thorin, as runas chamam Orcrist, a Rachadora dos Gnomos na antiga língua de Gondolin; foi uma lâmina famosa. Esta Gandalf, era Glamdring, Martelo dos Inimigos, que o Rei de Gondolin outrora usou. Cuidai bem delas!
- Aonde terão os Trolls ido buscá-las? – perguntou Thorin, a olhar para a sua espada com um novo interesse.
- Não sei – respondeu Elrond –, mas é de supor que os vossos Trolls tenham pilhado outros pilhadores ou achado os restos de antigos roubos nalgum barco das montanhas antigas."


Os companheiros saíram de Rivendell e seguiram o seu caminho para as montanhas Nebulosas onde foram alvo de uma emboscada de Gnomos, ou seja, Orcs e da qual apenas Gandalf conseguiu escapar. Os companheiros foram conduzidos perante o Grande Gnomo e as coisas não estavam a ficar nada agradáveis para eles mas Gandalf apareceu e extinguiu toda a luz da caverna.

"De súbito, uma espada brilhou na sua própria luz. Bilbo viu-a trespassar o Grande Gnomo... Então Gandalf... Tirou de novo a espada e de novo ela brilhou com brilho próprio no escuro. Brilhava com uma fúria que a fazia cintilar se estavam Gnomos por perto; naquele momento luzia como uma chama azul, deleitada por ter morto o grande senhor da caverna... os Gnomos chamavam-lhe apenas Batedora”.
Como poderam ler, a espada brilhava com luz própria quando se encontravam Orcs por perto. Mas se no livro O Hobbit a espada tinha um brilho azul já na trilogia d’O Senhor dos Anéis, aquando do encontro entre Gandalf e o Balrog, o brilho da espada era branco: “O Balrog chegou à ponte. Gandalf estava parado no meio do lanço de pedra, apoiado no bastão que a mão esquerda segurava; mas na direita brilhava-lhe Glamdring, fria e branca...
Da sombra irrompeu, flamejante, uma espada vermelha.
Glamdring cintilou, branca, em resposta."


Embora os encontros sejam diferentes, num a espada estava rodeada de Orcs e no outro tinha um Balrog perto de si, não acho que a cor do brilho da espada seja diferente de inimigo para inimigo, até porque perto do Balrog estavam centenas de Orcs. A diferença de tonalidades deve ser uma pequena incongruência na história. O importante daqui é que a espada brilhava quando se aproximavam inimigos, e não escrevi Orcs propositadamente... escrevi inimigos, pois a espada chamava-se Martelo dos Inimigos e prefiro a ideia de que ela brilhava quando um inimigo se aproximava. Esta minha teoria falha pelo simples facto de no Senhor dos Anéis estar escrito que

As lâminas de Glamdring e de Ferrão não projectavam nenhuma luminosidade, e isso constituía um certo conforto: obra de ferreiros élficos dos Tempos Antigos, aquelas espadas irradiavam uma luz fria se se encontravam Orcs por perto.”


Glamdring foi usada por Gandalf na demanda de Erebor e quase de certeza na batalha dos 5 exércitos e mais importante ainda, na luta com o Balrog em Mória, com a qual despedaçou a sua espada vermelha e na Guerra do Anel.
Não há registos acerca do que aconteceu depois à espada, para além da certeza de que Gandalf ainda a usava quando passou por Bree com os Viajantes (Frodo, Sam, Merry e Pippin) em Outubro do ano 3019 da 3ª era, mas depois disso Tolkien não volta a mencioná-la. É no entanto legítimo presumir que Gandalf não mais se separou dela e a levou consigo no barco para Valinor, pois a espada foi usada pelo Istari durante cerca de 80 anos e não me parece que ele a abandonasse no fim.
Uma das coisas que está por saber ao certo é como é que ela escapou à guerra da Ira, para tal coisa ter acontecido ela teve que sair de Beleriand antes do fim da 1ª Era, talvez trazida por Orcs após o saque de Gondolin. Outra coisa a salientar é a grande durabilidade e qualidade deste artefacto élfico, o que veio reforçar a ideia de que os Elfos foram exímios na arte de forjar objectos encantados.

Glamdring

glamdring no filme

Só uma curiosidade:
As inscrições, em runas, que vêm na espada querem dizer:

Glamdring
Turgon aran Gondolin tortha gar a matha
i vegil Glamdring gûd dae[dhe]lo[th], dam an Glamhoth

Glamdring
Turgon Rei [de] Gondolin empunha, tem e usa
[a] espada Glamdring, Inimiga [do] Reino de Morgoth, Martelo dos Inimigos


Glamdring no CCG

Este artigo foi escrito por Olórin