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Autor Tópico: Trabalhos da Terceira Batalha  (Lida 2434 vezes)


Gwen
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Trabalhos da Terceira Batalha
« em: Setembro 02, 2006, 04:23:09 pm »
E eis o trabalho da Middle Earth Alliance: uma biografia sobre Oromë   ^_^

Aguardamos os da equipa The Fellowship of the Grey   :closedeyes:  e também o vosso desafio  ^_^


Oromë

Oromë é um dos Aratar, um dos Valar de maior poder, grande caçador e senhor poderoso que amava todas as árvores, razão porque é chamado Aldaron em Quenya, pelos Sindar Tauron ou Araw (Tavros na sua forma mais antiga), o Senhor das Florestas, e Béma pelos Homens.

Caçador de monstros ferozes e senhor terrível na guerra, deleita-se com cavalos e cães de caça e tinha a sua mansão nas florestas que Yavanna criou em Valinor. É de constituição forte, os seus cabelos prateados e veste uma capa branca quando cavalga através das vastidões selvagens banhadas pela luz do luar. Nahar é o nome do seu cavalo, que é branco ao sol e de prata reluzente à noite; e o som da sua grande trompa, Valaróma, era como relâmpagos a rasgar o céu.

A sua esposa é Vana, a Sempre-Jovem, irmã mais nova de Yavanna. Todas as flores rebentam quando ela passa e desabrocham se ela as olha; e todas as aves cantam com a sua chegada.

Quando os Valar entraram em Eä para ordenarem o mundo, preparando-o para a chegada dos filhos de Ilúvatar, Melkor procurou estragar todas as obras dos outros, e assim Arda começou em tumulto: os Valar a construir e Melkor destruindo. Nesta primeira das Grandes Batalhas, Melkor acabou por fugir para a Escuridão Exterior depois de Tulkas se ter juntado à força dos Valar; e se Tulkas é mais forte do que Oromë, este é mais temível quando encolerizado. Com Melkor fora do caminho os Valar puderam finalmente trabalhar em conjunto no ordenamento da Terra. Criaram os primeiros continentes e escolheram a ilha de Almaren, no meio da Terra Média, para habitar. Construíram as primeiras luzes do mundo, duas colossais lâmpadas chamadas Illuin e Ormal e assim começou a Primavera de Arda, quando todas as coisas eram jovens. Foi nesse tempo que Tulkas desposou Nessa, irmã de Oromë; mas Melkor, cheio de inveja e ódio, desceu da escuridão e destruiu as lâmpadas, provocando grande destruição e desfigurando a simetria de Arda.

Melkor fugiu para a sua fortaleza de Utummo e os Valar, ocupados na contenção dos tumultos da Terra e receando que uma nova guerra dilacerasse ainda mais a habitação dos filhos de Ilúvatar, não o combateram nessa altura e partiram para o continente de Aman, a mais Ocidental das terras de Arda e aí construíram Valinor. As suas terras são as mais belas do mundo, pois aí vivem os Valar e Maiar em glória, sendo a sua presença que torna essa terra tão bela.

Oromë, o caçador e domador de animais, tinha a sua mansão num grande bosque nas proximidades de Hyarmentir, a montanha mais alta das regiões a Sul de Valinor; aí treinava a sua gente e os seus animais para a preseguição das diabólicas criaturas de Melkor. Os seus salões eram baixos e sustentados por árvores, e Tulkas e Nessa viviam próximo dessa região, pois Nessa era irmã de Oromë e gostava de correr nos bosques.

Mas Oromë amava a Terra Média  e deixou-a contrariado, tendo sido o último a chegar a Valinor; e com frequência regressou com a sua hoste, cavalgava na escuridão das florestas com a sua lança e o seu arco e perseguia até à morte os monstros e as ferozes criaturas de Morgoth. E as sombras do mal fugiam da sua ira e o próprio Melkor se encolhia em Utummo ao ouvir os cascos de Nahar e o toque de Valaróma.

Foi Oromë quem, numa das suas caçadas ouviu as vozes dos Elfos a cantar e assim os encontrou, com grande maravilhamento. Mas muitos afastaram-se com temor, pois Melkor, temeroso das cavalgadas de Oromë, enviara sombras com a forma de um grande cavaleiro que apanhava os Eldar e espalhou boatos mentirosos, com a intenção de os afastar quando vissem o Vala. Mas Oromë foi ao encontro deles cheio de amor e depressa os Eldar compreenderam  que ele não era um vulto vindo da escuridão, pois a luz de Aman estava no seu rosto.

Oromë ficou algum tempo com os Elfos mas depressa regressou a Valinor para dar a grande novidade, e estava preocupado com as sombras de horror que perturbavam os primogénitos de Ilúvatar. Também Yavanna se sentia assim e ambos falaram da necessidade de combater o Senhor Escuro; e Manwë procurou o conselho de Ilúvatar e convocou os Valar para o Círculo de Julgamento, onde decidiram retomar o domínio de Arda.

Assim os Valar deixaram uma guarda em Cuivinénen para proteger os Eldar e atacaram Melkor no Noroeste da Terra Média, ficando essa zona muito devastada. Nessa grande batalha dos poderes a terra tremeu, as águas deslocaram-se e houve grandes incêndios; e a forma da terra modificou-se e o grande mar que a separava de Aman tornou-se ainda mais largo e mais profundo. Mas por fim Melkor foi derrotado e acorrentado, ficou cativo e o mundo teve paz durante três longas eras.

Para proteger os Eldar dos enganos da escuridão da Terra Média, os Valar decidiram convocá-los para Valinor e Oromë foi-lhes de novo enviado, escolhendo três embaixadores, Ingwë, Finwë e Elwë, que ficaram maravilhados com a majestade dos Valar e com a luz das Duas Àrvores. E quando Oromë os reconduziu a Cuiviénen eles aconselharam o seu povo a aceitar o chamamento dos Valar e a mudar-se para Ocidente. Assim os Eldar prepararam uma Grande Marcha e dividiram-se em três hostes; mas muitos recusaram esse chamamento e preferiram a luz das estrelas na Terra Média, ficando conhecidos como os Avari ou Relutantes. Aqueles que chegaram a Aman ficaram a chamar-se Calaquendi, os Elfos da Luz, e foram os Vanyar, os Noldor e os Teleri.

Para que os Eldar empreendessem aquela Grande Viagem, Oromë trouxe de Aman as lembas como presente de Yavanna, que as fez do milho que ela mesmo cultivou; e os pães de caminho pareciam transferir algo do poder de Aman para os que os comiam. Longa e lenta foi a marcha para Ocidente, e Oromë cavalgava à frente das hostes dos Eldalië montado no seu cavalo Nahar, até que por fim chegaram junto às praias do Grande Mar, e foram transportados por Ulmo numa ilha até Valinor.

Aí viveram na bem-aventurança de Aman e alguns seguiram a trompa de Oromë nas suas caçadas; e Celegorm, filho de Fëanor, tornou-se amigo do Vala adquirindo grande conhecimento de aves e animais, e recebeu dele Huan, o grande cão de guerra que mais tarde auxiliou Beren e Lúthien na Terra Média.

Quando Melkor foi libertado do seu cativeiro, em breve começou a semear mentiras entre os Elfos; e quando os Valar disso tomaram conhecimento, com a discórdia  entre os Noldor, Oromë e Tulkas iniciaram logo uma perseguição; mas ele fugira de Valinor como uma nuvem de tempestade e durante muito tempo procuraram em vão. Pois Melkor fugira para a escura região de Avathar e aliou-se a Ungoliant, que teceu uma teia de negrume e assim destruiram as Duas Àrvores, provocando a Grande Escuridão e obtendo a sua vingança.

Oromë perseguiu Melkor ferozmente e a terra tremeu sob os cascos dos cavalos do seu exército. Mas depressa se tornou evidente que escapara mais uma vez, graças à ajuda de Ungoliant; e os Valar aconselharam-se entre si no Círculo de Julgamento. Yavanna e Nienna exerceram todos os seus poderes de saramento sobre as Àrvores, e estas deram um último fruto de ouro e uma grande flor de prata. Então os Valar fizeram duas grandes naves para guardar e preservar a sua radiância e Varda colocou-os no céu a viajar em cursos determinados. A donzela Arien passou a conduzir a nave de Anar, o Fogo Dourado; e Tilion, um caçador de Oromë, rogou que lhe fosse atribuída para sempre a tarefa de dirigir a nave de Isil, a Flor de Telperion, levando o seu arco de prata.

Depois da rebelião dos Noldor, os Valar criaram as Ilhas Encantadas e todos os mares à volta delas ficaram cheios de sombra e confusão, para que o Reino Abençoado não pudesse ser alcançado por quem navegasse para Ocidente, ficando assim fechado, tal como Mandos predisse.  Só quando Eärendil e Elwing procuraram desesperados os Valar, levando o Silmaril que Beren e Lúthien recuperaram, conseguiram atravessar os Mares Encantados e pediram ajuda em nome das Duas Famílias. Assim, depois de se reunirem em conselho os Valar decidiram acabar com o Reino de Morgoth e preparam-se para a batalha. Foi a Guerra da Ira, que durou 42 anos, e onde Melkor foi finalmente derrotado, acorrentado e enviado para o Vazio Eterno.

Apesar de Aman ter sido afastada dos círculos do mundo, os Valar continuavam a preocupar-se com o destino dos filhos de Ilúvatar; e ao verem que uma nova sombra se erguia na Terra Média, enviaram os Istari para ajudarem a combate-la. Oromë enviou Alatar, que trouxe Pallando como amigo. Eram os Magos Azuis, que foram como missionários para o leste e sul, para terras ocupadas pelo inimigo, talvez porque Oromë fosse de todos os Valar quem tinha maior conhecimento das terras mais distantes. Nunca mais se ouviu falar deles, ignorando-se o que lhes aconteceu.

Na Terra Média ficou uma recordação de Oromë: uma raça orgulhosa e forte de cavalos selvagens, que os Homens acreditavam terem sido trazidos pelo Grande Cavaleiro. Na 3ª Era, um deles foi capturado como um potro por Léod, dos Éothéod, mas quando ele o tentou montar, partiu a galope e derrubou-o, matando-o. Então, Eorl, filho de Léod, procurou o cavalo, disse-lhe que tinha uma dívida de sangue para com ele e deu-lhe o nome de Felaróf. O cavalo compreendia tudo quanto os Homens diziam, mas só permitia que Eorl o montasse, sem freio nem rédea. Eram os Mearas, os cavalos de Rohan, que não transportavam ninguém além do rei da Marca ou dos seus filhos. No tempo da Guerra do Anel, Crina de Neve era o cavalo de Théoden, que foi trespassado com um dardo enviado pelo Senhor de Morgul na batalha dos Campos de Pellenor. Ao cair, morreu e causou a morte do dono. E Facho de Sombra foi o fiel e veloz companheiro de Gandalf, quebrando a tradição e permitindo que o Istari o montasse. Depois da derrota de Sauron, partiu com Gandalf para Ocidente.

Para terminar, podemos ter uma ideia de como seria Oromë em batalha, com esta descrição de como Théoden e Crina de Neve se lançaram na Batalha dos Campos de Pelennor:
 " Mas não era possível ultrapassar Théoden. Parecia enfeitiçado, ou então a fúria de combate dos seus antepessados corria-lhe como fogo nas veias, e Crina de Neve transportava-o como a um deus antigo, como o próprio Oromë, o Grande, na Batalha dos Valar, quando o mundo era criança. O seu escudo dourado estava descoberto, brilhava como uma imagem de Sol e a erva parecia fogo verde à volta das patas brancas do seu corcel. A manhã chegava, a manhã e um vento do mar; e as trevas dissipavam-se e as hostes de Mordor gemiam, o terror apoderava-se deles, fugiam e morriam, e os cascos da ira espezinhavam-nas."


Sobre Oromë, também há uma história antiga, pouco conhecida e que se encontra no BooK of Lost Tales - vol. I - The Hiding of Valinor, pag. 212-13. Pois, devido ao seu amor pela Terra Média, ele construíu Ilweran, a Ponte do Céu; mas os Homens chamam-lhe Arco-íris. Eis a história, compilada pelo grande Cronista Aegnor:

A pedido de Manwë, que olhava com pesar para o Escondimento de Valinor das Grande Terras, Oromë e Lórien conceberam estranhos caminhos das Grandes Terras para Valinor. Lórien fez o Olórë Mallë, o Caminho dos Sonhos, mas Oromë fez a Ponte do Céu.
Oromë foi ter com a sua esposa Vána, e pediu-lhe uma madeixa do seu longo cabelo dourado e depois mergulhou esses cabelos no Kulullin, vaso onde se recolhiam as gotas de Laurellin, em seguida Vána teceu-os até fazer uma imensa e radiante corda.
Oromë levou esse dourado fio para os Salões de Manwë no alto da Taniquetil, e numa demonstração lançou o fio até uma longínqua montanha do Leste das Grandes Terras, onde ela se prendeu e a corda manteve-se com uma brilhante e dourada curva que não caía nem vacilava. Ele apressou-se a atar a sua extremidade a um pilar e voltando-se aos que o olhavam espantados disse: "Quem aqui quiser vaguear nas Grandes Terras, siga-me", pôs o pé na corda e como o vento correu até à longínqua montanha.
A ponte raramente é visivel aos Homens ou Elfos, mas quando a chuva cai dos céus e o dourado raio do Sol a ilumina ela cintila com magicos tons de azul, violeta, verde e vermelho e assim os Homens a chamam de Arco-íris entre muitos outros nomes, mas os Elfos chamam-na de Ilweran, a Ponte do Céu.
Nenhum Homem consegue caminhar no Ilweran e poucos Elfos se atrevem, só os Valar o percorrem com facilidade e assim podem ir a qualquer sitio das Grandes Terras.


Este é o relato sobre Oromë, segundo a tradição dos Eldar. Mas muitas Eras depois, quando estas histórias já estavam meio esquecidas e apenas restava uma vaga recordação destas lendas, muitas outras histórias surgiram, e os homens chamaram muitas vezes deuses aos Valar, e a Oromë deram muitos nomes.  Dessas mitologias, talvez um dos deuses que mais recorde Oromë seja Indra, da mitologia ariana.

Indra era o deus do tempo e da guerra, grande combatente e cavaleiro, protector da nobreza guerreira e por eles invocado em batalha. Fazia grandes cavalgadas nos montes do céu, para despertar as vacas-nuvens, que soltavam assim a sua ambrósia-chuva que fertilizava a Terra; e o agitar do seu chicote originava as trovoadas. Protector da Lua e da Aurora, combateu e venceu o dragão Vritra, um demónio terrível, que inspirava grande terror.
Também no panteão germânico encontramos alguns traços meio esquecidos de Oromë e Nahar, em Odin e no seu cavalo Sleipnir, o mais veloz corcel do mundo; ou em Donar (Thor na mitologia nórdica) deus guerreiro muito temido, que quando passeava com o seu carro na abóbada celeste provocava as trovoadas, e quando estava enfurecido e batia com o seu martelo, viam-se os relâmpagos.
Ou ainda na história do Cavaleiro Verde, Sir Gawain, que fazia grandes cavalgadas pelas regiões ermas de Gales. E assim, através de mitos e lendas, chegam até nós vislumbres desse passado esquecido; e de Oromë, o Grande Cavaleiro e Senhor das Florestas.





Nai hiruvalyë Valimar.
Nai elyë hiruva. Namárië!

« Última modificação: Outubro 14, 2006, 05:14:52 pm por Gwen »
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Arhandë
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Cavaleiro da Sab. de Mordor

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Re: Trabalhos da Terceira Batalha
« Resposta #1 em: Setembro 02, 2006, 05:11:21 pm »
A MEA que perdoe a minha ignorancia, mas eu sempre pensei que Odin e o seu cavalo de 8 patas eram da mitologia nordica/viking e nao germanica....mas talvez sejam a mesma coisa...
Tumbollon oronna,
Oronllo tundonna,
Lëo rocco,
Erda roquen...
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Elefante Mocado




Gwen
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Re: Trabalhos da Terceira Batalha
« Resposta #2 em: Setembro 02, 2006, 09:07:59 pm »
 :) Também pertence à mitologia germanica: têm os mesmos deuses, mas com outros nomes. Aliás, penso que esses mitos começaram nas margens do Reno, mas depois difundiram-se entre os povos escandinavos e foi aí que mais tarde ficaram pela primeira vez registados. Mas de momento não tenho o meu livro comigo  :(
« Última modificação: Setembro 02, 2006, 09:17:32 pm por Gwen »
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Elenaro
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Re: Trabalhos da Terceira Batalha
« Resposta #3 em: Setembro 02, 2006, 09:10:19 pm »
Aqui está o trabalho da Fellowship of the Grey.  ^_^

O desafio virá daqui a nada. :P



Melkor/Morgoth

No início Eru Ilúvatar criou do seu pensamento os Ainur, os Sagrados. De entre estes, a um, Eru deu os maiores dons, tanto em poder como em conhecimento. Este Ainu, o qual viria a ser chamado primeiro de Melkor (aquele que sobe em poder) e mais tarde Morgoth Bauglir (nome dado por Fëanor após o ataque a Formenos e a subsequente morte de Finwë e o roubo dos Silmarils), começou cedo a desejar trazer à existência coisas suas. Longo tempo passou ele em busca da Chama Imperecível pois pensava que Ilúvatar se tinha esquecido do Vazio. Mas ele não a poderia encontrar, pois a Chama estava com Eru. Este tempo que passou sozinho fez com que começasse a ter pensamentos em tudo diferentes dos seus pares.

Aquando da música dos Ainur, a Ainulindalë, Melkor tentou introduzir temas seus, causando grande dissonância na música. Muitos foram os Ainur que o seguiram na discórdia com os desígnios de Eru, no entanto, apesar dele pensar que os temas introduzidos eram ideias puramente suas, eles não eram mais do que parte do plano original de Eru. Desta contenda, entre os temas originais e os de Melkor, surgiram coisas ainda mais belas para além do que podia ter sido imaginado. Por esta intromissão de nos temas de Ilúvatar toda a criação de Eä está impregnada até certo ponto com um pouco de Melkor.

Após a música e o começo da criação do universo, Melkor veio para Arda tentar tomar conta e destruir o trabalho dos seus pares, os Valar, pois desde que tinha visto a visão de Eä ele a tinha desejado para ele próprio. Ele queria ser dono e mestre do mundo bem como de Elfos e Homens.

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Portanto, quando a aterra ainda era jovem e cheia de Flama, Melkor cobiçou-a e disse aos outros Valar: “Este será o meu reino, e meu o proclamo!”
in O Silmarillion, pág. 21.

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E Manwë disse a Melkor: “Este reino não tomarás injustamente como teu, pois muitos outros aqui trabalharam não menos que tu.”
in O Silmarillion, pág. 21.

Muitas foram as batalhas travadas entre Vala e seguidor de Melkor e disto resultou a destruição e ruína de muito do que tinha sido já feito. Entre estas perdas contam-se as duas lâmpadas Illuin e Ormal (de acordo com fontes não canónicas os pilares das duas lâmpadas foram construídas por Melkor a pedido de Aulë. Eram feitas de gelo embora tivesse sido dito aos Valar que eram feitas de um material indestrutível.) bem como a primeira casa dos Valar, Almaren.

Nesta altura, Melkor tomou o domínio da Terra-Média a partir da sua fortaleza de Utumno no norte de Arda. Aí se manteve até o acordar dos elfos, altura essa em que os Valar, para salvarem os primogénitos de Ilúvatar, atacaram Utumno e Melkor foi capturado e levado acorrentado para Valinor. Julgado por Manwë, seu irmão, foi obrigado a ficar preso nas Casas de Mandos por três eras Valinoreanas. Quando este tempo de aprisionamento passou, Melkor foi levado perante seu irmão, Manwë, a quem ele rogou ter mudado e que dali em diante iria ajudar os Valar nos seus trabalhos e na reparação do mal que tinha causado. Graças em parte à intervenção de Nienna, Manwë concedeu-lhe o perdão, sendo, no entanto obrigado a permanecer dentro dos limites de Valmar.

Durante um tempo, Melkor pareceu permanecer fiel à sua palavra e muito ganharam os Valar e Eldar que procuraram o seu conselho. Contudo, o ódio aos elfos permaneceu no seu coração e depressa ele começou a semear mentiras e discórdia entre os filhos de Ilúvatar. O intuito dele era quebrar a amizade entre Vala e Elfo mas os Vanyar não confiavam nele e aos Teleri, ele não ligou. Melkor volta a sua atenção para os Noldor, os quais se demonstraram dispostos a ouvir o que ele tinha para lhes ensinar, tanto da arte do fazer como da arte do saber. Ele acabaria por contar aos Elfos sobre a vinda dos Homens e a “verdadeira” razão para os Valar terem trazido os Quendi para as Terras Imortais. Contou ele que os Valar viam os Homens como mais fracos de espírito e mais fáceis de persuadir e que esta raça de criaturas de curta vida viria a suplantá-los nos reinos da Terra-Média. Muitos foram os que o ouviram e muitos mais os que inadvertidamente seguiram os passos das mentiras de Melkor. O próprio Fëanor acabaria por se rebelar contra o seu irmão, Fingolfin, ameaçando-o de morte frente a seu pai, Finwë.

Tudo isto chegou finalmente aos ouvidos dos Valar os quais convocaram Fëanor para aparecer diante deles, onde foram reveladas as mentiras de Melkor. Com os seus planos a descoberto, ele foge diante a perseguição de Tulkas para fora de Valinor, não sem antes tentar adquirir o que ele mais queria, os Silmarils feitos por Fëanor. Assim, ele foi a Formenos e proferiu mentira atrás de mentira ao poderoso elfo. Mas Melkor acabou por dizer mais do que devia e Fëanor apercebeu-se do seu desejo. Tomado pela raiva, o elfo, fecha a porta da sua casa na cara do mais poderoso dos habitantes de Eä.
 
Durante muito tempo não se ouviu o seu nome e foram muitos os que pensaram que Melkor tinha regressado à Terra-Média mas não tinha sido assim. Melkor tinha voltado a usar a sua antiga forma, negra e monstruosa, e dirigiu-se para sul de Valinor, para a região chamada de Avathar. Aqui ele encontrou Ungoliant, uma terrível e enorme aranha que consumia toda a luz que dela se aproximava. Prometendo-lhe grandes recompensas caso as duas árvores não satisfaçam a sua sede, Melkor convence a negra criatura a voltar a Valinor com ele.

Assim, os dois viajam até Valinor. Chegam lá numa altura de festival e rapidamente atacam Telperion e Laurelin. Melkor crava a sua arma em cada uma das árvores causando-lhes feridas por onde jorraram as suas essências, as quais são prontamente sorvidas por Ungoliant, privando o Ocidente da luz abençoada. Ainda sedento pelos Silmarils, Melkor segue para norte em direcção a Formenos. Fëanor encontrava-se nas festividades e todos os habitantes da fortaleza fugiram com a excepção de Finwë. Melkor não hesita em matá-lo e, de seguida, rouba o tesouro, levando consigo as três pedras preciosas.

A caminho de volta à Terra-Média, Ungoliant pára Melkor e, não estando saciada, exige-lhe que lhe entregue as jóias que tinham sido apoderadas em Formenos. Ele entrega-lhe tudo menos os Silmarils. As jóias são devoradas por Ungoliant que incha e aumenta de tamanho desmesuradamente ao ponto de o próprio Senhor das Trevas sentir medo. Ainda não contente com o que tinha já devorado e destruído para sempre, a terrível criatura exige a Melkor que lhe entregue também as três jóias. Ele recusa e Ungoliant ataca-o. Estaria tudo acabado não fossem os gritos alucinantes de Melkor que atraíram das profundezas da sua antiga fortaleza Balrogs, os quais correram em auxílio do seu mestre e com os seus chicotes puseram Ungoliant em debandada.

Melkor volta então à sua fortaleza de Angband nas Montanhas de Ferro, no norte da Terra-Média; reconstrói-a e ergue sobre ela os três picos de Thangorodrim. Sem perder mais tempo, lança contra os elfos que ficaram a leste do grande mar as suas forças e dá-se então a primeira das batalhas entre o poder do Norte e Elfos. 

Por esta altura chegam também a Beleriand os Noldor. Graças ao tumulto provocado por Fëanor, as hostes de Melkor aperceberam-se da sua chegada e com o objectivo de destruir os Noldor antes que eles pudessem estabelecer-se, Melkor ordena-lhes que ataquem os elfos. Apesar de serem apanhados desprevenidos, os Noldor obtêm a supremacia e as hostes do norte são repelidas com grandes baixas. Contudo, o Senhor das Trevas conseguiu algumas pequenas vitórias pois Fëanor havia sido morto e Maedhros capturado (Este último seria mais tarde salvo por Fingon.).

Após isto, os Noldor estabelecem o cerco a Melkor (o chamado cerdo de Angband) e encurralam-no no Norte de Beleriand. Este status quo durou longos anos até que, finalmente, em 455 cerco é quebrado na batalha de Dagor Bragollach. Melkor lança rios de chama e envia Balrogs, Orcs e o primeiro dos Dragões, Glaurung (este pertencia a raça dos Úruloki, dragões sem asas e lançadores de fogo). Com as perdas do lado dos elfos, Fingolfin, cavalga para Angband afim de defrontar o Senhor das Trevas pessoalmente. Embora com medo e relutante, Melkor aceita o desafio do Rei. Sete vezes foi ferido pelo elfo mas no fim, com o seu martelo Grond, mata Fingolfin e quando se preparava para quebrar o corpo, Thorondor, chega. O Rei das Águias ataca Melkor e transporta o corpo para longe. Tanto as feridas infligidas por Fingolfin como as infligidas por Thorondor nunca sararam e a dor delas persistiram no corpo do Ainu.

Anos mais tarde, foi a vez de Beren e Luthien penetrarem na fortaleza do Norte e defrontarem Melkor, roubando da sua coroa um dos Silmarils.

Este feito levou a que, pouco tempo depois os povos de Beleriand unem-se num derradeiro ataque a Angband. Melkor, contudo, soube do que se ia passar e estava pronto. Deu-se então a Nirnaeth Arnoediad onde, graças à traição dos Easterlings elfos, homens e anões foram derrotados.

Com esta derrota, o poder do norte estendeu-se pouco a pouco a toda Beleriand e Melkor tomou o domínio de todo o norte. Caíram perante o poder do senhor das trevas os portos de Eglarest e Brithombar, Nargothrond e finalmente a cidade escondida de Gondolin. Esta última caiu mais uma vez graças à traição, desta vez do elfo Maeglin.

Apenas no sul de Beleriand e na ilha de Balar o poder de Melkor ainda não tinha chegado. Foi daqui que, Eärendil partiu para Valinor com o Silmaril recuperado por Beren e Luthien. Eärendil pede perdão em nome de Elfo e Homem perante Manwë o qual concede o seu perdão aos Noldor ordena aos exércitos do Ocidente que marchem para a libertação dos filhos de Ilúvatar. E assim foi, a hoste dos Valar marchou para Beleriand e defrontou os exércitos de Melkor. Os exércitos do norte saíram para defrontar os do Ocidente e por pouco não ganhavam graças aos dragões alados. Valeu Eärendil que desceu dos céus e derrotou Ancalagon, o mais poderoso de todos os dragões. Com a derrota dos seus exércitos, Melkor é acorrentado com Angainor e os seus pés são-lhe cortados. É levado de novo para Ocidente onde é julgado de novo. Embora tenha pedido perdão, os Valar não se comoveram e expulsaram-no para além das Portas da Noite de onde ele não poderá voltar até à Batalha Final onde o mundo será destruído e refeito de novo.

Melkor e a raça dos Homens

Este pequeno excerto não foi incluído no corpo do texto principal pois não se sabe exactamente o que aconteceu entre o acordar da raça dos Homens e a vinda dos Edain para Beleriand. Sabe-se apenas que Melkor ele próprio ou através de algum servo seu andou entre eles no início. A uns ele conseguiu corromper e submeter à sua vontade enquanto outros fugiram diante ele para ocidente seguindo o rumor da Luz abençoada.
Foi, muito provavelmente, do primeiro grupo que vieram os chamados Easterlings, os quais viriam a trair Elfos e Homens na Nirnaeth Arnoediad. 

« Última modificação: Outubro 15, 2006, 01:24:42 am por Gwen »

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Re: Trabalhos da Terceira Batalha
« Resposta #4 em: Outubro 15, 2006, 01:16:19 am »
Elenaro, não estava a conseguir ver o desenho do Oromë sobre o Melkor, nem a Maharet... por isso editei o teu post  :)
« Última modificação: Outubro 15, 2006, 01:26:07 am por Gwen »
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