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Autor Tópico: Liv. II - Capítulo IV  (Lida 69 vezes)


Saruman
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Liv. II - Capítulo IV
« em: Março 18, 2019, 04:14:01 pm »
Em primeiro lugar, peço desculpa pelo atraso na publicação do comentário. Tenho tido semanas complicadas e o tempo disponível é escasso mas ei-lo  :D

Na minha opinião, este é um dos capítulos mais interessantes no que toca à caracterização de algumas personagens. Desde logo, Gandalf, enquanto líder do grupo, revela-se como um ser cada vez mais sábio e poderoso, ao guiar o grupo até e através de Mória e ao lutar na emboscada dos wargs. Ali temos já uma percepção mais clara que Gandalf é diferente, na sua essência, dos restantes, como o uso da magia demonstra (tema muito debatido entre todos nós).
E não podemos esquecer o seu temperamento irascível, visível nos momentos em que Pippin faz das suas. Um contraste com outras passagens ao longo do livro, como por exemplo quando descobre que o anel de Bilbo é o Um. É, de facto, uma personagem complexa - isto serve igualmente para referir que as personagens do LOTR, ao contrário das críticas de muitos fãs de Game of Thrones, não são de modo algum unidimensionais.
Chamo a atenção também para o pedido de cautela feito por Aragorn: “I will follow your lead now—if this last warning does not move you. It is not of the Ring, nor of us others that I am thinking now, but of you, Gandalf. And I say to you: if you pass the doors of Moria, beware!’”. Este ponto permanece como um dos grandes mistérios deste capítulo. Desde a primeira leitura sempre me interroguei o que saberia exactamente Aragorn sobre a proveniência e a natureza do próprio Gandalf.
Já sobre o Balrog, é o próprio Tolkien que elucida a questão na carta nº 144 (To Naomi Mitchison): “The Balrogs, of whom the whips were the chief weapons, were primeval spirits of destroying fire, chief servants of the primeval Dark Power of the First Age. They were supposed to have been all destroyed in the overthrow of Thangorodrim, his fortress in the North. But it is here found (there is usually a hang-over especially of evil from one age to another) that one had escaped and taken refuge under the mountains of Hithaeglin (the Misty Mountains). It is observable that only the Elf knows what the thing is – and doubtless Gandalf”.

Finalmente, uma última palavra para o prosseguimento da jornada do portador do anel. Uma vez mais a irmandade terá de optar por um entre vários caminhos. Depois de derrotados por Caradhras e do desfiladeiro de Rohan deixar de constituir uma opção, sobrou Moria.
Esta questão não deve ser, no meu entender, menorizada. Simplesmente porque nestas encruzilhadas compreendemos o que Tolkien queria dizer quando escreveu a história da jornada do portador do anel sem querer deliberadamente fazê-lo, como se de uma revelação se tratasse (existe uma carta onde ele explica concisamente se não me engano).
Ou talvez fosse uma exploração, onde o autor foi descobrindo até mesmo as personagens, possivelmente o sinal maior da sua grande obra.
« Última modificação: Março 18, 2019, 04:17:49 pm por Saruman »
Dai-me um ponto de apoio e moverei o mundo.

(Arquímedes)

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