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Fórum Tolkienianos » Os Livros » Grupo de Leitura » O Senhor dos Anéis » Liv. 1 - Capítulo V - Uma conspiração desmascarada

Autor Tópico: Liv. 1 - Capítulo V - Uma conspiração desmascarada  (Lida 208 vezes)


Gwen
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Liv. 1 - Capítulo V - Uma conspiração desmascarada
« em: Abril 08, 2018, 12:28:20 am »
Livro 1 - Capítulo V – Uma conspiração desmascarada


E neste Capítulo Frodo e os seus amigos chegam, finalmente, à Bucklândia.
Ficamos a conhecer um pouco da história da família Brandybuck e da origem da Bucklândia, e também que os Bucklandeses são considerados peculiares pelos outros Hobbits,
entre outras coisas pelo seu gosto por barcos e por alguns até saberem nadar.



Admirei todo o esforço que Merry e Bolger Gorducho fizeram, de todas as formas possíveis, para que Frodo se sentisse em casa, colocando as suas coisas e as de Bilbo dispostas
de forma semelhante ao que estava no Fundo do Saco, mesmo sabendo que ele iria partir em breve.

E comoveu-me a forma firme, inteligente e decidida com que tinham preparado a sua “conspiração” e estavam dispostos a correr todo e qualquer risco, mas que nunca abandonariam Frodo. E no entanto, as suas suspeitas não se baseavam em suposições, mas em factos que só amigos atentos e preocupados (e também com alguma dose de curiosidade  :rolleyes:) teriam, tendo as suas investigações começado ainda no tempo de Bilbo, e com o querido Sam como principal investigador. Por tudo isto andavam muito próximos da verdade. Eles decidiram seguir Frodo conscientes do perigo que iriam correr... não foi uma escolha irrefletida. Agora percebemos o que Sam fazia ao jardinar mesmo junto à janela onde Gandalf e Frodo conversavam!  :P  É engraçado Sam ter “secado”, depois do susto que apanhou de Gandalf. Seria só o medo de se tornar “numa coisa menos natural”? Penso que não, foi o facto de ter dado a sua palavra de que guardaria segredo.

Esta “conspiração” dos seus amigos acaba por dar força a Frodo, que se sentia  muito triste e preocupado, triste por ter de partir, preocupado pelos perigos que antevia ter de enfrentar, mas esta “conspiração” dá-lhe novo ânimo, alegria e esperança, e juntos planeiam o caminho que acham menos perigoso seguir: a Floresta Velha.



A frase deste capítulo que mais me marcou:
“Estamos horrivelmente assustados... mas iremos contigo. Ou seguir-te-emos como sabujos”. (pág. 131)
Queridos Hobbits! Amigos assim também quero!!  :wub:



Temos aqui também o primeiro sonho de Frodo, na noite que passou na Cova do Grilo, antes de iniciarem a sua viagem pela Floresta Velha.

"Quando se deitou, finalmente, Frodo não conseguiu adormecer logo. Doíam-lhe as pernas. Sentia-se grato por, de manhã, partir montado. Acabou por mergulhar num sonho vago, no qual lhe parecia estar a olhar, de uma janela muito alta, para um mar escuro de árvores emaranhadas. Lá muito em baixo,
entre as raízes, ouviam-se sons de criaturas a rastejar e a farejar. Tinha a certeza de que encontrariam o rasto, mais cedo ou mais tarde.

Depois ouviu um ruído, ao longe. Ao princípio, pensou que se tratava de uma grande ventania, a avançar por cima das folhas da floresta; mas depois compreendeu que não eram as folhas que produziam o ruído, e sim o mar distante. Acordado nunca ouvira o som do mar, mas ele atormentara
frequentemente os seus sonhos. De súbito, descobriu que estava em terreno descampado. Afinal, não havia árvores nenhumas. Encontrava-se numa
charneca escura e havia no ar um estranho cheiro a sal. Olhou para cima, e viu à sua frente uma alta torre branca, que se erguia sozinha num penhasco elevado. Invadiu-o um grande desejo de subir à torre e ver o mar. Começou a escalar o penhasco, na direção da torre, mas nisto, brilhou uma luz no céu e
soou um trovão."
(pág. 134)

É curioso como Frodo, apesar de nunca ter visto o mar, parece de alguma forma ansiar por ele também  :unsure: pois esse sonho é frequente. E a alta torre branca que ele vê nos sonhos... será possível que seja a torre Elostirion, nos Portos Cinzentos, onde se encontrava uma das palantir??? Essa pedra era diferente das outras e em desarmonia com elas:
só olhava para o mar. Elendil pô-la lá para poder olhar para trás e ver Eressëa, no Ocidente desaparecido, onde estava a pedra mestra. 

Se é natural que Frodo esteja assustado, que sonhe com a Floresta Velha e com sons de farejar e rastejar, já estes sonhos com o mar.. parecem ter alguma premonição, pois parecem querer avisar Frodo de alguma coisa, ou prepará-lo para algum acontecimento futuro  :unsure:


« Última modificação: Abril 08, 2018, 12:50:52 am por Gwen »
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Re: Liv. 1 - Capítulo V - Uma conspiração desmascarada
« Resposta #1 em: Abril 12, 2018, 11:01:41 pm »
E estamos à beira da aventura começar mesmo! :w00t2:

Não podemos esquecer aquela visão assombradora de Khamul, do outro lado do rio, a perceber que eles o atravessaram! :ph34r: :ph34r: :ph34r:
Esta parte inicial da obra pode ser lida, em conjunto, com a Caçada do Anel, nos Contos Inacabados, que explica todas as andanças dos Nazgûl.
Aí é dito que a água os baralha completamente - no fundo, o poder de Ulmo contrapunha o de Sauron :D

A conspiração foi muito bem organizada!  :clap: E realmente que belo espírito de sacrifício por parte destes Hobbits!
A parte que destacaste mostra realmente essa grande amizade, que os leva a ir até... Mordor! :P

Há uma parte que me chamou a atenção: quando falam em atravessar a Floresta Velha e Fredegar diz que nunca passaria por lá, Merry comenta que de dia é relativamente seguro, porque "as árvores estão ensonadas e relativamente sossegadas". :hmm:
Já temos aqui um ideia geral destas árvores estarem vivas e terem um comportamento diferente - como iremos ver e que, em última análise, se concretiza ainda mais em Fangorn.

É curioso como Frodo, apesar de nunca ter visto o mar, parece de alguma forma ansiar por ele também  :unsure: pois esse sonho é frequente. E a alta torre branca que ele vê nos sonhos... será possível que seja a torre Elostirion, nos Portos Cinzentos, onde se encontrava uma das palantir??? Essa pedra era diferente das outras e em desarmonia com elas:
Sim, o sonho é realmente interessante. Em casa de Bombadill há outro sonho - mas lá chegaremos.
Eu penso que sim, que se trata ad Torre Branca dos Portos Cinzentos.
No entanto, o Reader's Companion explica que este sonho é também fruto de uma versão anterior do texto (explicado num dos volumes da série HoME) onde o Mestre queria dar uma visão a Frodo donde estava Gandalf e do que se estaria a passar. Por isso a Torre Branca é uma versão inicial de Orthanc mas que, em bom rigor, pode agora ser entendida como essa ligação ao mar - que termina com a partida de Frodo, no final.
Como podemos ver há todo um conjunto de ligações a coisas que irão acontecer e que, por enquanto, ainda estão encobertas. Mas nós, no fundo, já sabemos :P :lol:

Os Tolkien Ensemble têm, obviamente, a música do banho e a outra mas não estão disponíveis no youtube, para colocar aqui :assob:

Gwen
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Re: Liv. 1 - Capítulo V - Uma conspiração desmascarada
« Resposta #2 em: Abril 13, 2018, 07:08:25 pm »
 :lol: É deliciosa a letra do banho  :lol: aquele Bilbo era O MÁXIMO!!  :lol:

  "Oh, nobre coisa é a Água Quente!"   :rolleyes: :lol:

Quanto a estes sonhos, penso que há de facto uma tentativa de Gandalf em comunicar com Frodo, e que estes “sonhos” são fruto disso (como certamente iremos debater nos próximos capítulos).

No excelente texto que o nosso querido Professor fez (ou por outra, o grande Mestre de Tradição Élfica Pengolodh  :P) Ósanwë-kenta - A Comunicação por Pensamento, é explicado, duma forma absolutamente fabulosa, como todos os Filhos de Iluvatar tinham esta faculdade de comunicar por pensamento. Essa era a forma natural de comunicar dos Valar e  Maiar (seres espirituais) que depois assumiram uma forma física e comunicavam com linguagem por amor aos filhos de Eru. Para os Encarnados (Elfos, e principalmente Homens, Anões e Hobbits) essa comunicação era mais difícil devido à união de um corpo (hröa) e alma (fëa) e ambos terem de interagir em conjunto. A necessidade de usarem linguagem estava ligada a este facto, e por isso mesmo também a comunicação por pensamento era mais difícil.

Os Elfos, estando destinados a viver em Arda enquanto esta durasse, eram mais fortes e a sua alma ou mente, tinha um domínio muito maior sobre o seu corpo; conseguiam “desligar-se” mais dele, e por isso a Comunicação por Pensamento era algo que faziam com facilidade. Os Homens e os outros filhos de Eru têm a mesma aptidão, mas mais fraca, pois eles têm um menor domínio sobre o seu corpo (hröa), o que dificulta este processo.

No entanto, em todas as mentes havia uma"Abertura", e esse seria o estado natural em Arda Não-Desfigurada. Mas mente alguma, mesmo a mais poderosa, podia dominar ou inspeccionar outra mente contra a sua vontade. Era um género de uma lei, uma protecção inviolável que Eru tinha criado para respeitar a individualidade de todos os Seus Filhos; e quanto mais pressão fizesse um dominador para inspeccionar uma mente contra a vontade desta, maior seria a barreira da negação. Apenas a Eru nenhuma mente estava fechada.   ^_^

Fica agora esta passagem deste texto encantador:

"Os Encarnados possuem pela natureza da sáma (mente) as mesmas aptidões; mas a sua percepção é obscurecida pelo hröa (corpo), pois seu fëa (alma) é ligado ao seu hröa (corpo), e o seu procedimento normal é através deste, que é em si parte de Eä, sem pensamento. O obscurecimento é de facto duplo; pois o pensamento tem que passar do manto de um hröa (corpo) e penetrar outro. Por esta razão, nos Encarnados, a transmissão de pensamento requer fortalecimento para ser efetiva.

O fortalecimento pode ser por afinidade, por urgência, ou por autoridade. A afinidade pode ser devido ao parentesco; pois isto pode aumentar a semelhança de hröa para hröa, e também dos interesses e modos de pensamento dos fëar residentes; o parentesco também é normalmente acompanhado por amor e simpatia. A afinidade pode vir simplesmente do amor e amizade, que é a semelhança ou afinidade de fëa para fëa.

A urgência é transmitida por grande necessidade do "remetente" (como em contentamento, pesar ou medo); e se estes assuntos forem comuns em qualquer grau ao "receptor", o pensamento é mais facilmente recebido. A Autoridade também pode conceder força ao pensamento de alguém que possui uma responsabilidade quanto a outro, ou de qualquer governante que tenha um direito a emitir comandos ou a buscar a verdade para o bem de outros.

Estas causas podem fortalecer o pensamento para transpor os disfarces e localizar uma mente recipiente. Mas essa mente tem que permanecer aberta, ou pelo menos passiva. Se, alguém estando ciente de que um pensamento lhe está sendo enviado, se fecha, nenhuma urgência ou afinidade permitirão o pensamento do remetente a entrar."


Acho que entre Frodo e Gandalf havia afinidade, e sem dúvida que Gandalf tinha Grande Urgência e também Autoridade para tentar avisar Frodo que ele próprio se encontrava prisioneiro e dos perigos que ambos corriam :( também o assunto era comum e facilmente percebido por ambos e era natural que Gandalf se sentisse, de alguma forma, responsável por Frodo, tentando protegê-lo de todas as maneiras possíveis. Não conseguindo que Frodo o entendesse ou "ouvisse", a sua mensagem acabou por ser mais facilmente recebida em sonhos, pois sem dúvida que eram avisos  :mellow:
« Última modificação: Abril 13, 2018, 07:23:24 pm por Gwen »
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Re: Liv. 1 - Capítulo V - Uma conspiração desmascarada
« Resposta #3 em: Abril 18, 2018, 03:13:42 pm »

A frase deste capítulo que mais me marcou:
“Estamos horrivelmente assustados... mas iremos contigo. Ou seguir-te-emos como sabujos”. (pág. 131)
Queridos Hobbits! Amigos assim também quero!!  :wub:


Acho que este capitulo é sobre isso mesmo, a amizade. (e conspiração também, vá)

Conhecer suficientemente uma pessoa (um hobbit) para saber que, se lhe pergunta-se mos "está tudo bem?" "Precisas de alguma coisa?" nos daria uma resposta vaga para não nos carregar com um fardo que não o nosso e prepara tudo isto, acho que vai para lá de uma boa amizade.

Enquanto que no filme parece que o Merry e o Pippin, não passam de uns gajos danados para a brincadeira e que são arrastados para a aventura por acidente, aqui vê-se muito mais deles e da relação que tem com o Frodo.


Em relação ao sonho não acho que faça muito sentido ser uma tentativa de Gandalf comunicar com o Frodo. Concordo mais com uma premonição daquilo que lhe vai acontecer (mas que o Frodo ainda não sabe) do que avisa-lo para isso faria mais sentido o Frodo ter um pesadelo para o meter a mexer (que não foi preciso)
 

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