Portal           Istya           Galeria
Fórum Tolkienianos » Os Livros » Grupo de Leitura » O Senhor dos Anéis » Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado

Autor Tópico: Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado  (Lida 429 vezes)


goncalopalmeira
Editor de Conteúdos
Humano
*
Offline Offline


Mensagens: 362

Baruk khazâd!Khazâd ai-mênu!

Ver Perfil WWW E-mail
Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado
« em: Fevereiro 26, 2018, 11:21:54 pm »
A Sombra do Passado

Nota: Antes de mais peço desculpa pela demora  :grin:
Decidi, como me havia proposto, identificar aspectos da obra que transparecessem a visão do Mestre, bem como a "essência" do SdA. Para isso recorri à problematização (talvez excessiva e até descabida, depois me dirão  ^_^ ) daquilo que Gandalf diz a Frodo e não deixei de levantar perguntas menos "filosóficas" e mais sobre o decorrer da história. Apesar de gostar bastante, como todos, de ler a história por si sem a pensar demasiado (como muitos defendem ser a vontade derradeira do Mestre  :) ) não resisti a ir um pouquinho mais além  :XD:



Após um capítulo bastante "soft" que delicia todos aqueles que têm um carinho especial pelos hobbits e traça a ponte entre O Hobbit e O SdA, surge o 2º capítulo como verdadeiro portão de entrada neste mundo e realidade mais profundo, sombrio e de enorme dimensão que é o grande lendário de Tolkien ao qual O Hobbit se foi aproximando, sendo que essa aproximação acabou por culminar nesta obra que analisamos.

Frodo continua a ser apresentado como o verdadeiro herdeiro e continuador do legado de Bilbo (o que se reveste de enorme importância neste capítulo), para além herdar O Fundo do Saco e a maioria dos bens de Bilbo (entre os quais o anel), Frodo herda a excentricidade, parte da reputação e a dupla sorte de ser rico e "bem preservado" pelo tempo. Como bom sucessor de Bilbo, Frodo partilha com o velho hobbbit o gosto por mapas, histórias e lendas e, claro, a vontade e desejo por viajar que cresce cada vez mais dentro dele.

À própria tranquilidade do Shire começam a chegar rumores do que se passa para lá das suas fronteiras, a importância (mesmo que reduzida) que os hobbits dão ao assunto já é em si reveladora. Aparecem no Shire gente estranha, para além do influxo crescente de anões, certamente uma menção aos Caminhantes que vigiam o Shire já há algum tempo e com cuidados redobrados após a partida de Bilbo (dadas as suspeitas que crescem em Gandalf), bem como aos espiões de Saruman. É pela primeira vez referida a "Terra de Mordor", onde Sauron havia reaparecido 50 anos antes, 10 anos depois da sua expulsão de Dol Guldur após longos anos de ocupação. As criaturas maléficas reaparecem e em cada vez maior número. De Barad-dûr , Sauron continua a pôr em acção os seus planos que estão agora a culminar na Guerra do Anel, após 1000 anos de maquinações.
Outra referência que acentua as trevas que pairam sobre a Terra-Média é a partida dos elfos pelos Portos Cinzentos para lá do Shire.

Após episódio da conversa entre os hobbits no Dragão Verde tomamos conhecimento das visitas que Gandalf fez naquele muito longo espaço de tempo após a festa de Bilbo ( 17 anos, o que faz bastante confusão a quem foi introduzido ao universo pelos filmes  ^_^ , mesmo após algumas leituras). Após uma longa ausência de 9 anos Gandalf regressa a Hobbiton para descobrir por fim que o anel de Bilbo é de facto o Um Anel. O presente capítulo é constituído na maioria pela conversa que Gandalf trava então com Frodo, na qual se descobre a verdade sobre o anel.


Problematização do diálogo entre Gandalf e Frodo

Como já disse e é normalmente aceite a obra de Tolkien apesar de não ser de forma alguma uma alegoria transparece inevitavelmente a visão do autor. Como qualquer obra pode ser analisada mais a fundo e problematizada. A conversa de Frodo e Gandalf traz ao de cima vários aspectos transversais a todo o SdA. Alguns deles evidenciam o catolicismo de Tolkien (o que não impede a obra de agradar a todos  :yes: ) que tem grande reflexo na sua obra.

  • Vontade do Anel vs "Potecção da Providência"
     Gandalf conta a Frodo a história do Anel, reflecte sobre os efeitos este tinha sobre Bilbo e como começara a suspeitar ao longo dos anos da verdade
     sobre o Anel. Constatamos que a história do Anel para além de ser marcada naturalmente pelas acções e erros dos portadores é definida por forças
     "superiores" que actuam sobre o Anel e que ele próprio detém uma vontade sua. Apesar de à primeira vista a vontade maligna do Anel, que procura a
     todo o custo voltar para o seu amo, ser a mais forte e a que tem mais impacto na sua história após a derrota de Sauron às mãos de Isildur, começa a
     surgir uma força que se lhe opõe e que acaba por impedir a vitória final das trevas, a esta força acho que poderemos chamar "protecção providencial".

     1)Comecemos pelos casos evidentes que são expostos por Gandalf:

       Sabemos que ao ser separado do seu amo o Anel não foi destruído dado o seu poder de corromper os seus portadores que impediu Isildur de o fazer,
       posteriormente aproveitou a oportunidade que melhor lhe conveio e abandonou Isildur perdendo-se no Grande Rio. É na altura em Sauron surge com
       força em Dol Guldur que Déagol acha o Anel, o que não é certamente uma coincidência.
       É então que acontece algo inesperado, o Anel abandona Gollum que já não lhe tinha qualquer uso e que não o "permitia sair" das montanhas quando
       o seu amo estava "perto" na Floresta Nebulosa, é contudo no preciso momento em que deixa Gollum que Bilbo, um hobbit, amigo de Gandalf, o
       encontra por andar a tactear o chão das Montanhas Nebulosas naquele preciso momento (existirá possibilidade mais remota e estranha que esta  :P ).
       Há claro uma outra força em jogo que "desvia" o Anel do seu caminho para as mãos de Sauron para ir parar às mãos não de um anão, não de um
       elfo, não de um homem, mas sim de um hobbit. Deve ainda ser referido o facto de Bilbo ter poupado Gollum, o que como Gandalf prevê, acabará por
       mudar os destinos da Terra Média.

     2)Outro aspecto (suscitado no início da conversa quando Gandalf fala a Frodo de como surgiram as suas suspeitas) que me chama a atenção e que
     penso estar intimamente ligado com esta "luta de forças" é a acção ou inacção de Gandalf quanto ao Anel e a sua relutância em consultar Saruman.

    -Uma manifestação dessa "força protectora" será a relutância que Gandalf sente em  de consultar Saruman, apesar de parecer que o Feiticeiro Cinzento ainda confiava no superior da sua ordem, mesmo reconhecendo que ele se havia tornado orgulhoso. Tal teria possivelmente colocado o Anel do Poder nas mãos de Saruman, que já há muito procurava o Anel e manipulava o Conselho para conseguir atingir este seu objectivo.
    - Gandalf apercebeu-se de imediato que aquele era um Grande Anel e contudo não tomou nenhuma acção mais significativa. Embora seja dito que não o poderia tirar à força sem consequências desastrosas e que sentia sempre alguma relutância em consultar Saruman (o que levanta em si uma questão), não deveria Gandalf ter tomado de imediato uma acção e procurado descobrir a verdade sobre o anel (visto que o destino dos 9 e dos 3 era conhecido e o dos 7 tido como provável)? Não teria Gandalf conhecimento de que apenas o Um era, entre os Grandes Anéis, completamente liso e feito de ouro? Se já sentia em si dúvidas quanto a Saruman, porque foi preciso esperar até ver as reacções de Bilbo no dia da sua partida, para pôr finalmente em causa aquilo que Saruman havia dito ao Conselho (que o anel havia descido o Anduin até ao mar)? Porque deixou a sua dúvida adormecer perante o achado de um Grande Anel?
    A todas estas perguntas é apresentada a resposta por Gandalf: de que se deixou a confiar nas palavras de Saruman, sendo que havia ao mesmo tempo algo que o impedia de pedir a ajuda e conselho do chefe do Conselho, preferindo esperar. Levanta-se então a verdadeira questão: terá a aparente inacção de Gandalf resultado das suas maquinações e de ter chegado à conclusão de que o Anel estaria melhor guardado em segredo no sossego do Shire? Ou, por outro lado, esta inacção devia-se a um "erro" seu (que assentava em confiar em Saruman) que resultava do facto de Gandalf estar a servir uma "força superior" que o impelia a não agir, assim como a manter a verdade escondida de Saruman?(o que parece mais provável segundo o que Gandalf diz a Frodo: "Mas quando os Anéis foram debatidos no Conselho, aquilo que se dignou revelar-nos do seu saber a tal respeito desmentiu os meus receios. Por isso a minha dúvida adormeceu... mas inquieta.")
  • Outro aspecto que acho interessante é a predestinação a que Gandalf se refere e que está intimamente ligado à "acção da providência". Dada a estranha ocorrência do achado do anel por Bilbo, Gandalf conclui que tanto Bilbo como Frodo estava destinados a serem portadores do Anel, e tinham por isso um missão muito importante que mudaria os destinos de toda a Terra Média. Cabe a Frodo independentemente de tudo cumprir o seu destino pois algo superior o encarregou de tomar este importante papel.
  • A possibilidade de agir bem ou mal perante "forças superiores". Sabemos que a posse e influência do Anel é influenciada pelas acções e forma como os seus portadores adquirem o Anel, retirá-lo à força terá consequências muito danosas sobre o portador, ao passo que "começar bem" a posse do Anel como Bilbo é possível, é possível praticar o bem perante a mais poderosa força de corrupção o que por si atesta o poder das boas acções. Como sabemos a obra vai em grande parte centrar no combate à corrupção e mal emanado pelo Anel.
  • Gandalf menciona um aspecto que marca bastante a obra do Mestre, a luta contínua contra o mal que teima sempre em reaparecer, sendo por isso o papel de todos aqueles que são bons fazer-lhe frente quando assim é necessário.


Gandalf conta a história de Gollum que soube através dele quando o capturou e faz um reflexão bastante interessante sobre a sua natureza. Não se torna explicito se Gandalf já conjecturava sobre a história e natureza de Gollum antes de o encontrar através do que soube por Bilbo ou se apenas soube tudo após o capturar.

Esta conversa (que como se viu me deu muito pano para mangas  :P ), para além de levantar e expor alguns aspectos  inerentes à obra de Tolkien, é fundamental para o leitor compreender o resto da história, terminando com o nosso querido Sam incumbido com uma missão fundamental, cuja dimensão ele já mais conseguiria adivinhar.   

« Última modificação: Junho 07, 2018, 01:15:28 am por goncalopalmeira »

Lealdade, honra, vontade, não posso pedir mais que isso

Gwen
Editor de Conteúdos
Maia
*
Offline Offline


Mensagens: 1734

Ver Perfil E-mail

Conquistas

award4
award9
award12
award13
Re: Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado
« Resposta #1 em: Fevereiro 27, 2018, 06:57:51 pm »
Excelente introdução Gonçalo  :clap: e acho que não estás atrasado, mas sim adiantado  :lol: mas não faz mal  :P

Este capítulo é espetacular e só agora, ao reler, vejo as saudades e o quanto isto me estava a fazer falta!  :wub:

É um capítulo muito interessante que nos remete para a estória antiga e o que me chamou mais a atenção foi a diferença de comportamento de Gollum e Bilbo quando encontraram o Anel: Gollum assassina o seu próprio amigo na ânsia de o possuir; Bilbo, apesar de estar num grande aperto, sente misericórdia e poupa Gollum. E este seu ato de misericórdia é fundamental no desenrolar da estória, sem ele o Anel não teria sido (mais uma vez) destruído. O que por vezes me leva a pensar que por detrás destes “estranhos acasos” há uma intervenção divina, ou como tu dizes, uma Proteção da Providência, muito subtil... o próprio Gandalf diz que “atrás de tudo havia mais qualquer coisa em acção, algo que ultrapassava quaiquer desígnios do fabricante do Anel. Bilbo estva destinado a encontrar o Anel, mas não pelo fabricante deste. E portanto, Frodo também estava destinado a tê-lo, pensamento esse que é encorajador”.

Lembro-me também do quanto Gandalf, ao planear a sua jornada a Erebor com Thorin, achou importante que Bilbo fosse, apesar de na altura nem saber explicar o motivo: e quanto mais relutancia Thorin parecia mostrar, mais importante Gandalf achava a ida de Bilbo na expedição, ao ponto de dizer a Thorin que "se Bilbo fosse teriam sucesso, caso contrário, falhariam" (Contos, pág. 347). Este trecho ilustra bem isso:
"E de súbito, compreendi que falava realmente a sério. Aquela minha curiosa ideia não era uma brincadeira, era a sério. Era desesperadamente importante que fosse executada."
Era desesperadamente importante que Bilbo fosse naquela expedição. Porquê?

Penso que era porque havia grandes hipóteses de ser ele a encontrar o Um. E porque ele era já o hobbit encantador que era, teria a força e o carácter suficientes para fazer o que fez, assim como o seu herdeiro. "Guardar" o Anel durante uma série de anos e no entanto não ficar corrompido por ele, continuar a ser ele mesmo com a sua bondade e compaixão. Claro que Bilbo podia ter feito outras escolhas: podia ter matado Gollum. Estava "num grande aperto", precisava de sair dali com urgência e Gollum estava no seu caminho. O Anel era totalmente maléfico. Se a sua escolha tivesse sido outra, tudo teria sido muito diferente. Mas acredito que a "tal força que estava em ação, sem ser a do fabricante do Anel" teria de arranjar outro... plano, outra solução, mas o importante era que fosse respeitado o livre arbítrio de cada um, que essa fosse uma escolha consciente. Acho que era por isso que Gandalf não podia "forçar", por exemplo, Bilbo a renunciar ao Anel. Tinha de ser uma escolha própria, o  livre arbítrio teria de ser respeitado, pois de contrário o efeito não seria o mesmo. Penso que aqui tem a ver com o papel que Eru reservou aos Seus Filhos, poderem ser eles (ou alguns deles), através das suas escolhas, a combater e a alterar os desíginios do mal, a tornar o "mal em bem" para glória de Eru e de Arda.  ^_^

Quanto à inação de Gandalf, ele próprio admite a Frodo que cometeu alguns erros graves, mas na altura ainda confiava em Saruman... apesar de ter algo a advertir o seu coração. Ou seja, não tinha ainda nada de concreto, mas no seu coração não conseguia confiar totalmente em Saruman. Também Galadriel não confiava inteiramente nele. O facto de ter consigo o Narya pode ter ajudado a tornar este sentimento mais forte? Talvez.  :hmm:

---------

Oops...  :rolleyes: também andava com o calendário trocado, pensava que este capítulo era só para março.
« Última modificação: Fevereiro 28, 2018, 08:17:21 am por Gwen »
Lacho calad! Drego morn!

Eru
Administrador
Vala
*****
Offline Offline


Mensagens: 4874

Abram alas ao Criador de Arda!

Ver Perfil WWW E-mail

Conquistas

award2
award4
Re: Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado
« Resposta #2 em: Março 03, 2018, 12:37:03 pm »
Finalmente tempo para comentar! :clap:

Excelente post Gonçalo! Vamos lá entrar na trama do Anel.

A questão da providência divina é fundamental. Tolkien coloca pequenas pistas aqui e ali que demonstram que um outro poder parece actuar, mesmo que muito indirectamente. É o caso mencionado de Bilbo encontrar o Anel, tanta coisa se conjugar e ali estar Gandalf a revelar a história do Um.
Outro dos exemplos que encontraremos é o caso do Conselho de Elrond: é ele que diz que não reuniu as pessoas ali presentes, simplesmente apareceram ali em Rivendell... B)

Sobre a inacção de Gandalf, o debate é complexo. Lá está - não sabemos ao certo o que ele sabia ou não. Se desconfiava ou não de Saruman.
Penso que não. Simplesmente guardou os factos para ele, acreditando que não eram nada de especiais. A prova é de que acabou por ir pedir ajuda a Saruman, e este o prendeu :P

Quanto a Gollum, acho que só quando o interrogou é que percebeu realmente a história toda. Podia desconfiar, mas faltavam peças e a coisa não fazia sentido. A confissão, tirada a ferros, é que resolveu por fim a história total do Anel  :eye_b:

Quanto à minha leitura saltou-me à vista uma parte:
Citação de: Págia 70
Ele estava convencido de que o Um perecera, de que os Elfos o tinham destruído, como deveria ter acontecido. Mas agora sabe que ele não pereceu, que foi encontrado.
Então Sauron, que fez o Anel e que transferiu grande parte do seu poder, não sabe se Anel ainda existia?!?!
O Reader's Guide comenta que é uma dúvida frequente dos leitores. O mais certo é que o Anel era tão único e com um poder tão grande e inovador que nem o seu próprio criador sabia ao certo o que aconteceria se fosse destruído. Daí Sauron, enquanto fraca sombra depois da sua primeira derrota, ter acreditado nisso.
Se formos a ver, nem os Elfos sabiam o que aconteceria ao poder dos Três Anéis quando o Um fosse destruído.

Outra nota: como podem ver neste tópico, a inscrição do Anel na edição portuguesa está espalhada e de pernas para o ar! :lol:

A questão da História dos Anéis poderá ser complementada com a leitura do respectivo último capítulo d'O Silmarillion  :thumbup:

COMPLEMENTO
Aqui temos o Mestre a ler a famosa parte do Anel  :w00t2: :w00t2: :w00t2:
https://www.youtube.com/watch?v=dW7-iYLAp-s

Gwen
Editor de Conteúdos
Maia
*
Offline Offline


Mensagens: 1734

Ver Perfil E-mail

Conquistas

award4
award9
award12
award13
Re: Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado
« Resposta #3 em: Março 05, 2018, 11:51:32 am »
Como é bom voltar a estes debates  :clap:

Talvez Sauron tenha acreditado que o Um tinha sido destruído pois tudo parecia indicar nesse sentido  :unsure: depois da Última Aliança e de o terem destruído, o "sensato" seria destruir o Um.

Talvez por Sauron ter pensado isso começou a "recolher" os outros aneis do poder, os nove e os que sobravam dos sete. Isso deu-lhe algum poder, e talvez só depois disso, ao ter os nove e três dos sete (acho eu, já estou tão esquecida) é que começou a perceber que o Um, afinal, ainda existia. Que vos parece?
Lacho calad! Drego morn!

Eru
Administrador
Vala
*****
Offline Offline


Mensagens: 4874

Abram alas ao Criador de Arda!

Ver Perfil WWW E-mail

Conquistas

award2
award4
Re: Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado
« Resposta #4 em: Março 05, 2018, 01:49:28 pm »
Talvez Sauron tenha acreditado que o Um tinha sido destruído pois tudo parecia indicar nesse sentido  :unsure: depois da Última Aliança e de o terem destruído, o "sensato" seria destruir o Um.

Talvez por Sauron ter pensado isso começou a "recolher" os outros aneis do poder, os nove e os que sobravam dos sete. Isso deu-lhe algum poder, e talvez só depois disso, ao ter os nove e três dos sete (acho eu, já estou tão esquecida) é que começou a perceber que o Um, afinal, ainda existia. Que vos parece?
O facto dele recolher os outros Anéis do Poder não faz sentido, a não ser que ele soubesse que o Um ainda existia!
Porque com o Um destruído, os outros perderiam também o seu poder - tal como aconteceu com os Três depois...
Eventualmente vou pela "lógica" - o Anel devia ter sido destruído e assim pensou quando se recompôs. E como ninguém conhecia bem o poder e as condicionantes do Um, lá foi apalpando terreno até perceber que ainda existia  :P

Gimli
Maia
*****
Offline Offline


Mensagens: 1338

That's still count as one

Ver Perfil E-mail
Re: Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado
« Resposta #5 em: Abril 10, 2018, 05:53:09 pm »
Excelente Post Gonçalo  :thumbup: :thumbup:
Não há muito para comentar (muito menos tão tarde). É um capitulo com muita informação para assimilar para poder perceber o resto da história...

Dado que já foi debatido muita coisa aqui, acrescento também algo que me chamou à atenção (mais enquanto lia o readers companion) e que me pus a divagar...

Gandalf diz que Smeagol, quando descobriu os poderes do Anel se tornou vivo de olho e de ouvido para tudo quanto era prejudicial. O Anel dera-lhe poder de acordo com a estatura. (pag.72)
Mais à frente quando Frodo oferece o anel a Gandalf (mais em jeito de pergunta, do que da forma retratada no filme), ele rejeita, dizendo que não deseja tornar-se como o Sr. das Trevas, apesar do caminho do anel para o seu coração fosse através da compaixão.

Sempre supus que Gandalf com o uso do anel, ficaria "mau", muito mau mesmo, com um "amor" á destruição ainda maior que Sauron. Mas no readers, diz que Gandalf seria superior a Sauron, e continuaria "justo" de uma forma hipócrita. Que continuaria a comandar as coisas pelo "bem" de acordo com os seus interesses e sabedoria, que permaneceriam grandes.

O Anel só tem poder para destruir, mas se dessem o Anel a Gandalf, as coisas acabavam por se compor... Saron era "destruído" e a Terra Média viveria sobre uma ditadura xD

Eru
Administrador
Vala
*****
Offline Offline


Mensagens: 4874

Abram alas ao Criador de Arda!

Ver Perfil WWW E-mail

Conquistas

award2
award4
Re: Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado
« Resposta #6 em: Abril 12, 2018, 09:55:14 pm »
Sempre supus que Gandalf com o uso do anel, ficaria "mau", muito mau mesmo, com um "amor" á destruição ainda maior que Sauron. Mas no readers, diz que Gandalf seria superior a Sauron, e continuaria "justo" de uma forma hipócrita. Que continuaria a comandar as coisas pelo "bem" de acordo com os seus interesses e sabedoria, que permaneceriam grandes.

O Anel só tem poder para destruir, mas se dessem o Anel a Gandalf, as coisas acabavam por se compor... Saron era "destruído" e a Terra Média viveria sobre uma ditadura xD

Sim, é basicamente isso. Gandalf usaria o Um Anel para o bem até à exaustão.
Tornar-se-ia ditatorial para conseguir impor a sua visão do bem. Até ao ponto de anular a boa vontade de todos.

E não esqueçamos que, mesmo destruindo Barad-dûr, Sauron ficaria na mesma vivo... Mais uma vez, seria uma questão de tempo: o portador do Anel cair em desgraça e Sauron então o recuperar.

Fórum Tolkienianos » Os Livros » Grupo de Leitura » O Senhor dos Anéis » Liv. 1 - Cap. II - A Sombra do Passado