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Fórum Tolkienianos » Os Livros » Grupo de Leitura » O Senhor dos Anéis » Introdução e Prólogo

Autor Tópico: Introdução e Prólogo  (Lida 109 vezes)


Eru
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Introdução e Prólogo
« em: Janeiro 17, 2018, 08:06:32 pm »
E assim começamos a nossa leitura d'O Senhor dos Anéis :w00t2:

Introdução
O texto da introdução corresponde ao da 2ª edição do SdA, de 1965, e não à introdução original escrita por Tolkien.
Nesta versão - agora presente em qualquer edição - o Mestre dá-nos um vislumbre da complexidade da escrita (demorou 13 anos a escrever! Entre 1937 e 1949).

Das coisas mais interessantes mencionadas é que escrevia conforme aquilo que achava que poderia ser interessante - sem "estudos de mercado", sem tentar aplicar fórmulas de outros autores! Claro! O SdA é uma obra única, a primeira a abrir este tipo de escrita de mundos secundários.
Uma bela tacada aos críticos quando diz:

Citação de: Página 12
Alguns que leram o livro, ou que de qualquer modo o criticaram, acharam-no enfadonho, absurdo ou insignificante; e eu não tenho de me queixar, pois perfilho opiniões similares das suas obras ou do género de leitura que, como é evidente, preferem.
:lol: :lol: :lol: :lol: :lol:

É também na introdução que JRRT explica, preto no branco, que a obra não é uma alegoria, nem tem qualquer alegoria. Há, obviamente, inspiração da sua própria vida mas que é difícil conseguir identificar ao certo o quê.


Prólogo
O prólogo introduz-nos à questão dos Hobbits, do Shire, da descoberta do Anel, etc.

É interessante como Tolkien se assume como narradar de uma verdadeira História - servindo apenas como intermediário, retirando os dados do Livro Vermelho (um tipo de discurso que estava também presente na Introdução da 1ª edição mas que foi removido pelo próprio  :hmm: ).

Aqui temos a descrição dos Hobbits e dos seus hábitos. E a famosa imagem dos seus pés que apenas têm a sola mais rija - e não enormes, como por vezes os filmes parecem mostrar (certamente inspirado na famosa imagem dos irmãos Hildebrandt - https://www.spiderwebart.com/images/art/110515.jpg)
É muito curiosa a historieta dos irmãos Macho e Blanco que foram prestar vassalagem ao Rei de Arnor para terem autorização formal para habitar no Shire.

As referências à erva-de-cachimbo são fantásticas - sobretudo porque são retiradas de uma obra escrita pelo Merry precisamente sobre este assunto! E assim ficamos a saber que esta erva terá vindo, muito provavelmente, de Númenor!  ^_^

A estrutura do Shire é interessante - uma verdadeira pacatez, sem grandes instituições que regulassem o dia-a-dia porque tal não era necessário.

Sobre o Anel, a história é relevante a vários níveis. Quando JRRT escreveu o SdA, a versão da descoberta do Um por Bilbo, n'O Hobbit era diferente - a personagem era mais simpática, cordial, nada relacionada com o Gollum que conhecemos. Ora, o Mestre resolveu escrever uma 2ª versão do capítulo que passou então a substituir o capítulo original - é o que temos agora nas nossas edições. Mas, intelegentemente, e para dar coerência à História, é aqui explicado que essa 1ª versão é a versão que Bilbo contou a toda a gente e que a nova versão é aquela que Gandalf e Frodo conseguiram obter depois de muito o chatearem.
Tiro o chapéu ao Mestre! É uma forma genial de explicar as duas versões! :w00t:

A última parte, sobre os Anais do Shire, continua a dar uma profundidade tremenda a toda a obra e mostra a genialidade de Tolkien. :bowdown:

É aí descrito o Livro Vermelho da Marca Ocidental (já mencionado), fonte de todas estas históricas, as supostas cópias feitas, nomeadamente uma em Minas Tirith, completando os dados recolhidos por Bilbo e Frodo.

-----------------------
E agora está aberto o debate! 
« Última modificação: Janeiro 17, 2018, 11:55:03 pm por Eru »

Mormegil
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Re: Introdução e Prólogo
« Resposta #1 em: Janeiro 18, 2018, 10:30:02 pm »
Citar
Sobre o Anel, a história é relevante a vários níveis. Quando JRRT escreveu o SdA, a versão da descoberta do Um por Bilbo, n'O Hobbit era diferente - a personagem era mais simpática, cordial, nada relacionada com o Gollum que conhecemos. Ora, o Mestre resolveu escrever uma 2ª versão do capítulo que passou então a substituir o capítulo original - é o que temos agora nas nossas edições. Mas, intelegentemente, e para dar coerência à História, é aqui explicado que essa 1ª versão é a versão que Bilbo contou a toda a gente e que a nova versão é aquela que Gandalf e Frodo conseguiram obter depois de muito o chatearem.
nao me lembro nada disto!

essa versão foi então publicada nas primeiras edições? está em algum HoME ?

Eru
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Re: Introdução e Prólogo
« Resposta #2 em: Janeiro 19, 2018, 10:52:39 am »
essa versão foi então publicada nas primeiras edições? está em algum HoME ?
Sim, a primeira versão do capítulo foi publicada entre 1937 e 1951 (quando saiu nova edição d'O Hobbit, com a nova versão). Tolkien reescreveu isso em 1947, quando estava quase a acabar o SdA.
E, depois da saída do Sda, começou a reescrever O Hobbit, para estar mais no estilo do Sda, mas não passou dos primeiros capítulos.

Não está nos HoME porque eles só tratam do Sil' e do SdA!
Esta primeira versão está publicada por Douglas Anderson em "The Annotated Hobbit".
O processo de escrita está todo documentado na obra "The History of the Hobbit" de John Rateliff (o HoME para o Hobbit) e estas trocas estão também bem explicadas em "The Lord of the Rings: A Reader’s Companion" de Wayne G. Hammond e Christina Scull.

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Baruk Khazâd!

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Re: Introdução e Prólogo
« Resposta #3 em: Janeiro 20, 2018, 05:21:53 pm »

Introdução

Citação de: Página 12
Alguns que leram o livro, ou que de qualquer modo o criticaram, acharam-no enfadonho, absurdo ou insignificante; e eu não tenho de me queixar, pois perfilho opiniões similares das suas obras ou do género de leitura que, como é evidente, preferem.

É também na introdução que JRRT explica, preto no branco, que a obra não é uma alegoria, nem tem qualquer alegoria. Há, obviamente, inspiração da sua própria vida mas que é difícil conseguir identificar ao certo o quê.



Acho que com apenas uma frase defines bem o core do sucesso de JRRT. Ser fiel a ele mesmo e àquilo em que acreditava. Tinha uma visão, e não se importou com o que os outros pensavam ou poderiam pensar. Isso está bem patente na história das publicações do SdA com as editoras. Sabia bem o que queria.

Em relação às suas inspirações gostaria de deixar aqui alguns links. Provavelmente alguns deles já devem ter lido. Não dizem respeito às suas inspirações enquanto eventos, mas sítios que poderão ter inspirado o Professor na criação de certos lugares da Terra-Média.

Inspiração para Mordor:


Inspirações para a vida Hobittiana e outras localizações:



Prólogo
O prólogo introduz-nos à questão dos Hobbits, do Shire, da descoberta do Anel, etc.

É interessante como Tolkien se assume como narradar de uma verdadeira História - servindo apenas como intermediário, retirando os dados do Livro Vermelho (um tipo de discurso que estava também presente na Introdução da 1ª edição mas que foi removido pelo próprio  :hmm: ).

Aqui temos a descrição dos Hobbits e dos seus hábitos. E a famosa imagem dos seus pés que apenas têm a sola mais rija - e não enormes, como por vezes os filmes parecem mostrar (certamente inspirado na famosa imagem dos irmãos Hildebrandt - https://www.spiderwebart.com/images/art/110515.jpg)
É muito curiosa a historieta dos irmãos Macho e Blanco que foram prestar vassalagem ao Rei de Arnor para terem autorização formal para habitar no Shire.

As referências à erva-de-cachimbo são fantásticas - sobretudo porque são retiradas de uma obra escrita pelo Merry precisamente sobre este assunto! E assim ficamos a saber que esta erva terá vindo, muito provavelmente, de Númenor!  ^_^

A estrutura do Shire é interessante - uma verdadeira pacatez, sem grandes instituições que regulassem o dia-a-dia porque tal não era necessário.

Sobre o Anel, a história é relevante a vários níveis. Quando JRRT escreveu o SdA, a versão da descoberta do Um por Bilbo, n'O Hobbit era diferente - a personagem era mais simpática, cordial, nada relacionada com o Gollum que conhecemos. Ora, o Mestre resolveu escrever uma 2ª versão do capítulo que passou então a substituir o capítulo original - é o que temos agora nas nossas edições. Mas, intelegentemente, e para dar coerência à História, é aqui explicado que essa 1ª versão é a versão que Bilbo contou a toda a gente e que a nova versão é aquela que Gandalf e Frodo conseguiram obter depois de muito o chatearem.
Tiro o chapéu ao Mestre! É uma forma genial de explicar as duas versões! :w00t:

A última parte, sobre os Anais do Shire, continua a dar uma profundidade tremenda a toda a obra e mostra a genialidade de Tolkien. :bowdown:

É aí descrito o Livro Vermelho da Marca Ocidental (já mencionado), fonte de todas estas históricas, as supostas cópias feitas, nomeadamente uma em Minas Tirith, completando os dados recolhidos por Bilbo e Frodo.


Com apenas a introdução posso dizer que é isto que me fez apaixonar por este mundo. Os detalhes que JRRT criou, desde as mais diferentes culturas a aspectos mais geográficos. Quem nunca se perdeu a olhar para os mapas da Terra-Média? A riqueza de cada pormenor, que nos dá uma imersividade tal que ficamos a achar que isto poderia mesmo ser possível.

Já não me lembrava da história das diferentes versões da descoberta do Um. É, de facto, genial a forma como deu a volta à questão, mantendo tudo coerente!  B)

Deixo então aqui alguns mapas para se deliciarem a olhar para eles  :)



EDIT: Já agora aproveito também para deixar aqui um artigo que temos no nosso Portal sobre o Livro Vermelho. Boa altura para ler ou reler! http://www.tolkienianos.pt/portal/artigos/outros/102-o-livro-vermelho-e-os-seus-autores
« Última modificação: Janeiro 20, 2018, 05:36:24 pm por Ysgrimir »
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Re: Introdução e Prólogo
« Resposta #4 em: Janeiro 22, 2018, 04:18:53 pm »
Acho que com apenas uma frase defines bem o core do sucesso de JRRT. Ser fiel a ele mesmo e àquilo em que acreditava. Tinha uma visão, e não se importou com o que os outros pensavam ou poderiam pensar. Isso está bem patente na história das publicações do SdA com as editoras. Sabia bem o que queria.
A questão é que ele também não sabe o que os outros pensariam sobre isso.
Publicar hoje uma história deste estilo é diferente porque já há expectativas: se é parecido com JRRT, CSLewis ou se é mais tipo G.R.R.Martin ou ainda JKRowling.
JRRT foi o primeiro a fazer uma coisa desta envergadura, ie, com um mundo secundário deste nível.

As inspirações são sempre difíceis de identificar ao certo, mas esses artigos são bem interessantes. E há passagens das Cartas onde ele se identifica com um Hobbit e com esse estilo de vida, claro.

Infelizmente a nossa Galeria está off-line - quando estiver outra vez disponível então podemos recorrer às dezenas de mapas lá presentes :D

Gwen
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Re: Introdução e Prólogo
« Resposta #5 em: Fevereiro 05, 2018, 01:02:43 pm »
 :blush: Já estou atrasada mas entre alguns problemas com o computador que finalmente estão resolvidos e o tempo que nunca chega para tudo, vou tentar acompanhar a leitura.

Citar
É interessante como Tolkien se assume como narradar de uma verdadeira História - servindo apenas como intermediário, retirando os dados do Livro Vermelho (um tipo de discurso que estava também presente na Introdução da 1ª edição mas que foi removido pelo próprio  :hmm: ).

Para mim isto é muito mais apaixonante do que isto, Tolkien faz-me mesmo acreditar neste mundo, senti-lo no meu coração como real, uma lembrança pela qual anelo, tal como os Istari anelavam por Valinor! Ele assume-se de facto como um narrador, um compilador de lendas desse mundo, que também é o nosso, e não só ao compilar as estórias do Livro Vermelho, ele foi muito mais longe do que isso. Temos a estória de Eriol, o marinheiro que descobriu Tol Eressëa e que ficou lá por uns tempos, ficando a conhecer as lendas dos Eldar e dos pais dos Homens, contando-as depois no Livro Dourado de Tavrobel. Tolkien vai "apanhando" e compilando estas coisas como se não tivesse quase nada a ver com o assunto  :lol: e isso encanta-me mais do que consigo exprimir por palavras  :wub: E temos também as recordações das crianças, que conseguem "viajar" em sonhos até Tol Eressëa, como nos conta o poema da Pequena Casa da Brincadeira Perdida.

Eu ADORO este Homem  :wub:

E agora tenho de começar a ler o Capítulo I e tentar acompanhar a leitura  :blush:

Aurë entuluva!

goncalopalmeira
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Baruk khazâd!Khazâd ai-mênu!

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Re: Introdução e Prólogo
« Resposta #6 em: Fevereiro 08, 2018, 05:19:28 pm »
Tenho também que pedir desculpa pelo atraso (li até ao Capítulo IV sem escrever nada) :unsure:
Tenho ainda, que partilhar convosco o fascínio pela forma como Tolkien se refere à sua obra, como uma narração de uma realidade do passado que ele conhece através das "fontes" que lhe chegam.
Penso que o mais importante a retirar da Introdução é de facto o esclarecimento que o mestre faz ao salientar que a obra dele não é nenhuma alegoria, não contém qualquer significado oculto ou mensagem, apesar de ter sido escrita num período muito conturbado da história. A obra do mestre é resultado da mente de um dos mais brilhantes (para o nós o mais brilhante  ^_^ ) contadores de estórias que o mundo conheceu. A obra de Tolkien reflecte apenas a necessidade que este tinha em partilhar o mundo e mitologia que criou. Apesar disto, o SdA não deixa de levantar algumas temáticas que reflectem alguns aspectos da forma como Tolkien via o mundo e que passaram inevitavelmente para a sua obra. Acho que seria interessante irmos identificando e evocando essas temáticas ao longo da leitura.


Em relação às suas inspirações gostaria de deixar aqui alguns links. Provavelmente alguns deles já devem ter lido. Não dizem respeito às suas inspirações enquanto eventos, mas sítios que poderão ter inspirado o Professor na criação de certos lugares da Terra-Média.

Inspiração para Mordor:


Inspirações para a vida Hobittiana e outras localizações:



De facto, esta questão levantada pelo nosso amigo Ysgrimir é de grande relevância. Este tópico é bastante abordado neste documentário, que certamente muitos de vocês já viram:
https://www.youtube.com/watch?v=HkmNHP58OhU

As grandes temáticas que me vêm à cabeça quando penso no SdA são:
1) A oposição da vida calma e tranquila do mundo rural, personificado pelos hobbits, com o mundo que "escurece", o mundo das máquinas e dos perigos que ameaça a pureza e tranquilidade do mundo rural;
2) A dualidade entre o bem e o mal. A ameaça das trevas que se vão alargando pelo mundo, prontas para destruir tudo o que é belo e puro e as forças do bem que se levantam para lhe fazer frente, apesar das hipóteses parecerem sempre bastante desfavoráveis;
3) A dualidade entre a força e vontade de fazer frente às trevas em oposição ao desespero e à perda de fé. Como vemos na oposição entre Gandalf e Denethor aquando o cerco de Minas de Tirith.
4) O papel que os "pequenos" desempenham e acaba por mudar os destinos do mundo, que nem sempre está nas mãos dos "grandes" e sábio e como estes são permeáveis ao falhanço.
5) Esperança num futuro melhor e no triunfo do bem face às trevas, mesmo parecendo que estas são indestrutíveis.   

« Última modificação: Fevereiro 08, 2018, 05:32:07 pm por goncalopalmeira »

Lealdade, honra, vontade, não posso pedir mais que isso

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Re: Introdução e Prólogo
« Resposta #7 em: Fevereiro 09, 2018, 01:30:39 pm »
De facto, esta questão levantada pelo nosso amigo Ysgrimir é de grande relevância. Este tópico é bastante abordado neste documentário, que certamente muitos de vocês já viram:
https://www.youtube.com/watch?v=HkmNHP58OhU

Sim, esse é o documentário feito por altura do centenário do seu nascimento: "J.R.R.T.: A Film Portrait of J.R.R. Tolkien".
É provavelmente o melhor documentário sobre o Mestre! ;)

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