Estava eu já no meu lugar, quando chegou um casal de idosos, a senhora atirou a sua bengala para o chão, e o senhor antes de ocupar o seu lugar deu um pontapé na bengala da esposa, vi logo que aquilo prometia.

O senhor começou a ressonar, até que lhe coloquei a mão no ombro, lá acordou muito assustado, sem perceber o que tinha acontecido e tirou mais um daqueles rebuçados para a tosse. Sim, porque quando não estava a ressonar, estava a tossir.
Uma das vezes que olhei, estava a babar-se, parecia uma daquelas torneiras mal fechadas sempre com um fio de água a correr. Mas foi quando a esposa começou também a ressonar que não aguentei mais.
Tive de sair dali, e acabei por ver o resto da primeira parte em pé, junto a uma das portas laterais.
Foi quando vos vi, no intervalo ainda fui a vossa procura, mas vocês desapareceram.
Bom, como não vos via, fui ao jardim encher o peito de coragem para voltar para o mesmo lugar. Porque eu sou como vocês, nunca desisto das pessoas.

Sempre que o senhor começava a ressonar, pegava-lhe no braço e abanava-o, foi assim que consegui ter alguma paz, e ele sorria, era simpático. Era gordo, velho, feio, desdentado, isto é, não tinha a beleza de um elfo, mas tinha um coração de um rei.
Mas uma vez fiquei cheio de medo, ele ficou tanto tempo a olhar para mim e a sorrir, que pensei que ele me queria beijar, foi um momento arrepiante.

Não o desejo ao meu pior inimigo.
Foi sem dúvida um dos meus melhores sábados deste ano, por isso, quando é que é mesmo a nossa próxima saída?
