Bem por onde começar. O filme por si só está bom, mas sinceramente eu tive de me forçar a esquecer do livro para poder gozar o filme. Dos 5 filmes que o PJ fez até agora do universo tolkieniano este deve ser o pior em termos de adaptação da história ao filme.
O Mormegil já falou em algumas falhas.
- O inicio do filme é sempre a despachar para chegar rápido á floresta. O Beorn é uma referência agradável para quem leu o livro, é apenas mais uma personagem esquecível para quem não conhecia a história.
- Chegados á floresta, mais uma vez a travessia que devia ser longa é passada a correr. Entrámos na floresta, já estamos perdidos, estamos a tripar porque 5 segundos a traz nos disseram que a floresta tem umas coisas estranhas no ar. Olha aranhas.
- O Thandruil está algo como o imaginei, faz um bocado papel de mau (tal como me lembro do livro), gostei do ar meio "maléfico" dele, afinal de contas os elfos não são uns tipos mega porreiros constantemente. No entanto francamente não me recordo de nenhuma referência a ele ser uma espécie de bruxa má que usa magia para esconder o facto de estar desfigurado. Nem me lembro de ele estar desfigurado. É um toque engraçado mas que não me parece que faça muito sentido no universo de Tolkien.
- A questão da elfa com o anão... é mau. Foi daqueles momentos em que fiz facepalm no meio do cinema. Desnecessário, e sem sentido. Não vejo mal em ela estar curiosa em relação aos anões por eles virem do mundo exterior, mas dai ao romance… Isto já para não falar daquele dialogo do conteúdo das calças do anão.
- A desolação de smaug, nem vê-la. Foi chegar ao miradouro, está aqui a desolação bora para outro lado

- Não gostei mesmo nada de nada os anões não estarem todos juntos quando se abre a porta, acho que foge demais ao espírito da coisa. E eu não preciso que os anões estejam na cidade para me preocupar com o que acontece.
- Finalmente não gostei nada da forma como acabou. É demasiado injusto para com as pessoas que não leram o livro e estão a seguir a história pela primeira vez. Lembrou-me a
Bússola dourada.
Depois além disto existe algumas coisas parvas que surgem quando o PJ decide que quer por uma cena de acção que não existe, porque pronto tem de existir acção. Como por exemplo o Smaug cheira o Bilbo quando o Bilbo está com o anel e tem sempre mais ou menos noção de onde ele está. Mas quando os anões (que é um cheiro que o dragão conhece bem), estão na ponte, ele passa por cima deles e não percebe que eles estão ali?
Provavelmente o PJ achou que era anti-climático os anões acabarem por não confrontar Smaug no filme, mas as vezes perde-se um bocado a coerência.
Enfim além destas coisas e mais outros pormenores, o filme tem muita coisa de que gostei. O Smaug está excelente, continuo a adorar o Bilbo, gostei o Bard, foi possível tornar a personagem relevante. Mas no meio disto tudo não sei se gostei mesmo ou não do filme, estou meio dividido. Já sei que quando respirar fundo e o voltar a ver devo passar a aceitar mais as diferenças (hoje em dia já não tenho vómitos quando os elfos entram em Elm’s Deep), eu não acho mal que ele invente um bocado, até porque muitas vezes é necessário para que o filme funcione. Mas existem modificações que são desnecessárias.
E já agora podia existir um tópico sobre “Coisas nas quais os elfos surfam”. Já tínhamos escudos, agora juntam-se aranhas e orcs, bem como a disciplina do salto do anão.
PS: A luta Gandalf/Sauron e respectiva inception de Saurons está muito muito fixe.