Portal           Istya           Galeria
Fórum Tolkienianos » Geral » Off-Topic » Arte dos Utilizadores » A Casa

Autor Tópico: A Casa  (Lida 4195 vezes)


N3kr0
Maia
*****
Offline Offline


Mensagens: 1025

Ver Perfil E-mail
Re: A Casa
« Resposta #15 em: Outubro 05, 2007, 07:26:51 pm »
------------------------------

A voz parecia ser dele, mas parecia estar cansado ou doente, a voz era naturalmente pesada e um pouco lenta,
para uma pessoa daquela idade, mas agora parecia diferente, uma voz agonizada e ainda mais lenta.
- Foi o ssssenhoooré dádivvvva do sssenhorrr

Esperei que a mulher ainda ali estivesse, pois seria decerto a médica do velho.
Bati duas vezes e abri ligeiramente a porta, chamei pelo velho mas apenas obtive silêncio, entrei e vi o candelabro
no mesmo sitio onde o deixara com a vela já apagada, olhei para o lado da cama e não vi ninguém, a planta também
já lá não estava, a cama ainda estava feita, o sol tinha realmente desaparecido por entre as altas montanhas que
agora conseguia ver perfeitamente pelas janelas, estava escuro mas ainda conseguia ver o céu fracamente iluminado
de um vermelho escuro por entre duas enormes montanhas ao longe, aproximei-me da janela que tinha estado da
primeira vez e olhei lá para baixo, afastei-me da janela com um impulso rápido, fiquei a olhar para a vasta floresta que
tinha em frente, a tentar calmamente montar imagem do que tinha acabado de ver, olhei para trás, dei uma volta
sobre mim mesmo a olhar para todo o quarto, comecei a forçar a janela mas nada, passei para a outra, em frente á
cama, e consegui, rapidamente meti a cabeça de fora e olhei para baixo com a mãos no parapeito da janela, nada vi
senão a enorme parede que se estendia por mais três andares para baixo, e um infindável número de janelas para
ambos os lados, quatro enormes árvores que atingiam o segundo andar, completamente despidas, sem uma única
folha, ramos cinzento escuros de cima a baixo.
Reparei então que não havia separação entre as árvores e a floresta em frente, percebi que deveria estar do lado
oposto ou na parte de trás da casa, sem quaisquer sinais do que tinha visto… a descer pela parede… entrei
novamente fechando a janela e fiquei a olhar novamente para o quarto a tentar ouvir algo, mas reinava o silêncio,
o quarto tinha duas portas, do lado direito do armário, e do lado direito da cama, dei a volta á cama e abri a porta,
encontrei a casa de banho, pareceu-me normal como qualquer outra, entrei e abri a torneira para lavar a cara, coisa
que não fazia há muito, olhei-me no espelho e voltei a molhar a cara, quando ouvi uma das janelas do quarto a
abrir-se, segundos depois barulhos que não consigo descrever, pareceram vir lá de fora e depois passaram para
dentro do quarto, tinha fechado a torneira sempre a olhar para a porta da casa de banho que tinha ficado aberta,
aproximei-me da porta e vi então a sombra… daquilo…que tinha entrado pela janela, a pouca luz vinda das montanhas,
o vermelho escuro, agora mais escuro, pintava toda a parede em frente às janelas, de um vermelho que me arrepiou-me.”

Ainda hoje, é a imagem que mais me assalta a memória, e não a lembro como um momento, mas como um quadro,
apenas vejo o vermelho escuro e aquela sombra desenhada. Seria a minha primeira experiência dentro desta maldita casa,
e comecei finalmente a duvidar da minha sanidade.
“Depois da sombra desaparecer, também desapareceram os sons, saí da casa de banho e aproximei-me da porta de
saída, ia com alguma pressa mas abrandei logo que vi a porta ao lado direito do armário aberta, fiquei a olhar para as
janelas, a que me tinha oferecido resistência estava aberta, bem aberta, pequenas manchas negras de alguma coisa
que me pareceu ser areia, misturadas com um liquido vermelho, preenchiam a entrada da janela em cima da cómoda,
algumas até mesmo nas gavetas e depois no chão, terminando dentro da outra sala para além da porta.
Agarrei na maçaneta da porta de saída e rodei-a, estava a olhar intensamente para a porta aberta e para as manchas,
puxei a porta e não consegui abrir, voltei-me para ela e rodei mais uma vez e reparei então que estava trancada, rodei
mais uma ou duas vezes sem me aperceber do barulho que fazia.

------------------------------
"Qualquer tipo de beleza, no seu supremo desenvolvimento, excita invariavelmente a alma sensível das lágrimas."
-- Edgar Allan Poe (1809-1849)

"Quase ninguém dança sóbrio, a não ser que estejam loucos. "
-- H. P. Lovecraft (1890-1937)


Gwen
Editor de Conteúdos
Maia
*
Offline Offline


Mensagens: 1727

Ver Perfil E-mail

Conquistas

award4
award9
award12
award13
Re: A Casa
« Resposta #16 em: Outubro 05, 2007, 10:06:56 pm »
Glup!!  :ph34r:
Lacho calad! Drego morn!

N3kr0
Maia
*****
Offline Offline


Mensagens: 1025

Ver Perfil E-mail
Re: A Casa
« Resposta #17 em: Outubro 07, 2007, 03:27:25 am »
-------------------------

- Essstá feccchadaaanãoooessstooou parrrraninggguém essssta noooite.
A voz do velho suou vinda da outra sala, a voz era igual á que tinha ouvido antes de entrar, procurei a chave
rapidamente por todo o quarto enquanto não ouvia mais nenhum som vindo da outra sala, encontrei na primeira
gaveta da cómoda perto da janela, abri a porta, saí e fechei atrás de mim. Passando pela rampa que parecia fazer
a divisão entre estas duas partes da casa, as paredes e chão eram muito diferentes, mais ainda do que tinha visto
no dia inteiro que passei perdido nos corredores, a arquitectura das paredes e do chão chamou-me a atenção,
estava agora definitivamente noutra parte da casa, havia quadros por todo o corredor, algumas pinturas eram sobre
natureza, outras envolviam crianças em contacto com natureza e animais, as paredes eram pintadas em tons alegres,
linhas que por vezes terminavam em algo semelhante a enormes flores, no corredor onde estava parado mesmo á
saída de rampa, havia um enorme quadro em cima de uma cómoda mesmo a meio do corredor, que era pequeno
e terminava numa porta e uma curva para a direita, tal como corredor que continuava á minha direita, não havia
nada á esquerda senão a parede, cinco velas iluminavam muito bem todo aquele espaço, assim que olhei para as
velas lembrara-me de que tinha deixado o candelabro no quarto.

- QUEEEEM ÉSSSMEU SAAACANNNADEVVVOLVVVE-ME A CHHHAVEA MINHHHA PLANTAAAAONNNDE ESSSTÁ.
A voz atacou-me por trás, senti o chão e as paredes estremecerem como se um camião passa-se a poucos metros
de mim, virei-me e vi um enorme vulto negro ao fundo, a porta do quarto do velho estava aberta, apesar de aquela
voz ter algumas semelhanças com a voz destorcida que ouvira antes, esta era horrivelmente mais perturbadora,
ia entrar na rampa novamente para chamá-lo, dizendo quem eu era, e que tinha sido eu que saíra do quarto pois não
o tinha encontrado lá, mas ele avançou primeiro saindo do quarto, foi então que o meu sangue gelou.

O velho trazia na mão direita, a vela que eu tinha deixado, iluminava-o de alto a baixo, em vez de duas… tinha seis
pernas humanas, três de cada lado, dobradas, suportando uma parte que me foi impossível de descrever,
semelhante a uma aranha ou escorpião, as pernas eram finas, apenas osso e pele negra, os pés pareciam ser em
tudo, humanos, apesar da anormal magreza, com a excepção do que me pareceu serem enormes garras em cada
dedo, em vez de unhas, e uma garra em cada calcanhar, do velho só restava os braços ainda humanos, e o tronco
nu, porque do pouco que vi da cara, a boca com uma abertura macabra, estava ligada pela própria da pele da cara,
ligava o maxilar inferior ao superior.

-------------------------------
"Qualquer tipo de beleza, no seu supremo desenvolvimento, excita invariavelmente a alma sensível das lágrimas."
-- Edgar Allan Poe (1809-1849)

"Quase ninguém dança sóbrio, a não ser que estejam loucos. "
-- H. P. Lovecraft (1890-1937)


Gwen
Editor de Conteúdos
Maia
*
Offline Offline


Mensagens: 1727

Ver Perfil E-mail

Conquistas

award4
award9
award12
award13
Re: A Casa
« Resposta #18 em: Outubro 07, 2007, 03:33:17 pm »
Ai!!!  :ph34r: Venha logo esse final!  :ph34r:
Lacho calad! Drego morn!

N3kr0
Maia
*****
Offline Offline


Mensagens: 1025

Ver Perfil E-mail
Re: A Casa
« Resposta #19 em: Outubro 07, 2007, 05:08:08 pm »
-------------------------------------

- Venhasenhor... venha rápido, por aqui. - Uma voz suave vinda do meu lado esquerdo, do corredor,
quase me fez perder qualquer força que me tinha restado, quando tentei olhar para ver quem era, mas
o velho arrancou com um grito bizarro contra mim, saltou para a frente e as duas pernas do lado esquerdo
subiram a parede, as garras cravaram-se na parede e pernas do lado direito percorreram alguns metros no chão
e subiram pela mesma parede, a criatura corria agora virada de cabeça para baixo, com as duas pernas de trás
no tecto e as outras esticadas usando as paredes laterais, vinha com velocidade e começava a descer a parede
com o movimento contrário, e lançou-me a vela com toda a força.
- AGORAVENHA, POR FAVOR.

Senti o meu coração a arrancar primeiro que eu, saí disparado em direcção á voz que ouvira, o pequeno
corredor virava á esquerda, uma criança a poucos metros de mim corria, com um boneco na mão direita,
uma única porta ao fundo semi-aberta, e uma menina olhava aterrorizada para o corredor, as paredes tremiam
com uma força devastadora, os quadros atrás de mim e á minha frente caiam no chão, o corredor ainda era um
pouco longo, uns metros depois, a sombra crescia atrás de mim, a sombra desfigurada, o grito era forte e a
criança á minha frente caiu, e o boneco mais á frente, ainda faltavam alguns metros, a menina abriu a porta e
saiu enquanto gritava, a criança caída levantou-se ficando de joelhos e virou-se para trás aterrorizada, a menina
na porta tinha as mãos nos olhos, e chorava. Passei pelo pequeno rapaz que caíra e levantei-o pelos braços,
pontapeei o boneco que voou pela parede até á porta aberta e rezei para chegar a tempo.”

Pelo bloco que encontrei num dos muitos escritórios, e pelo calendário que fiz, e algumas contas, faz seis meses
que exploro esta mansão, um mês inteiro num quase… desespero, por uma saída, tirar a minha própria vida foi
algo que me chegou a parecer tão banal como escolher a hora a que me deitava ou o quarto onde dormia, mas
poucos dias depois, já no final do primeiro mês, a ideia saiu-me da cabeça para voltar a criar outra que ainda hoje
se desenvolve. Estaria eu já morto? Teria eu morrido no acidente, ou talvez dentro da própria casa?
Seria isto o inferno? O meu inferno? Ou estava preso entre o inferno e o céu? Nenhuma das perguntas me foi,
até hoje, respondida, mas como já disse, desisti há muito de procurar uma saída ou alguma resposta, mas não
estou sozinho, e não me sinto sozinho, encontrei amigos aqui dentro, alguns também já quiseram sair, mas temo
que tenham desistido há muito mais tempo, alguns revelaram estar aqui há muito, muito tempo, mais do que
qualquer ser humano é capaz, a imortalidade tomou conta deles. Temo que a mesma maldição tenha caído sobre
mim no dia em que aqui cheguei, cada porta leva a outro lugar tão diferente como as culturas de países longínquos,
ou as personalidades de um ser humano, explorar é a única coisa que faço agora, sempre sozinho, pois os que
encontro pelo caminho, senão tentarem matar-me ou enlouquecer-me, acabam por ficam para trás e comigo levo
apenas os seus conselhos. É aqui que fecho esta primeira entrada deste diário, não sei porque só agora comecei
a escrever, mas vou descansar, amanhã continuarei.
Já me esquecia, o telemóvel ainda funciona, e o relógio do velho também.
Edgar - Sábado, 27 de Julho, 2007.

-------------------------------------



 :wacko: finito  :unsure: desculpem pelo tamanho disto :mellow:

agora será mais facil acompanhar, k tá terminado  :lol:

 :toast: :hug: :bye1:
"Qualquer tipo de beleza, no seu supremo desenvolvimento, excita invariavelmente a alma sensível das lágrimas."
-- Edgar Allan Poe (1809-1849)

"Quase ninguém dança sóbrio, a não ser que estejam loucos. "
-- H. P. Lovecraft (1890-1937)


Gwen
Editor de Conteúdos
Maia
*
Offline Offline


Mensagens: 1727

Ver Perfil E-mail

Conquistas

award4
award9
award12
award13
Re: A Casa
« Resposta #20 em: Outubro 07, 2007, 07:29:11 pm »
 :w00t: :hug: :hug:

Hantalë por teres partilhado connosco a tua história, N3kr0  :hug:

É misteriosa e cheia de suspense, a escrita inegavelmente o "teu estilo" e o final verdadeiramente surpreendente, abrindo as portas (glup  :ph34r:) para outras aventuras nesse mundo amaldiçoado   :unsure:  Devo dizer que fiquei contente por os meninos se terem "safado"  B) e que gostei muito de reler o Conto  :hug:

Lacho calad! Drego morn!

Maharet
Maia
*****
Offline Offline


Mensagens: 2013

Queen of the Damned

Ver Perfil WWW E-mail

Conquistas

award2
award6
award12
Re: A Casa
« Resposta #21 em: Novembro 20, 2007, 03:34:56 am »
ora bem, tendo em conta que são 3.30 da manhã e k tá uma noite de tempestade, eu decididamente devia ter mais cuidado a escolher a hora a que leio estas coisas :lol:

desculpa ñ ter lido mais cedo, N3cr0. eu sei que prometi que lia há séculos, mas o meu tempo tem andado mto contadinho :crying:

tá uma ideia arrepiante, sim senhor. só te faço um reparo, que é a pontuação. as tuas frases são parágrafos inteiros :blink: uns pontos finais lá pelo meio facilitariam e muito a leitura


"Neste Jardim Selvagem, o lugar dos inocentes é nos braços do vampiro" - Anne Rice

Fórum Tolkienianos » Geral » Off-Topic » Arte dos Utilizadores » A Casa